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Há muitos médicos jovens em Portugal, mas faltam clínicos de idades intermédias

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Paulo Vaz Henriques

Um novo estudo mostra “grande contradição sobre a classe médica em Portugal: existem demasiados licenciados em Medicina, mas o Serviço Nacional de Saúde tem cada vez menos médicos”. A curto ou médio prazo haverá um provável excesso de médicos

O número de médicos em Portugal será excessivo no curto/médio prazo, havendo demasiados licenciados em Medicina, enquanto há carência de clínicos de idades intermédias, segundo um estudo demográfico.

O trabalho, da autoria do médico João Correia da Cunha, da secção Sul da Ordem dos Médicos, mostra a "grande contradição sobre a classe médica em Portugal: existem demasiados licenciados em Medicina, mas o Serviço Nacional de Saúde tem cada vez menos médicos".
Segundo a análise, feita com base em estatísticas nacionais de 1996 a 2014, a curto ou médio prazo haverá um provável excesso de médicos.

"Este cenário deve-se ao facto de este ano ter começado a não haver vaga para todos os médicos de acesso ao internato", diz o estudo "O que fazer de tantos médicos", apontando para a necessidade de rever os 'numerus clausus' (vagas no Ensino Superior).

Outra das conclusões do estudo, a que a agência Lusa teve acesso, identifica uma carência de médicos de idades intermédias. Isto pode, refere o autor, comprometer a assistência a doentes agudos e a formação pós-graduada, uma vez que são necessários orientadores de formação em idade ativa e no terreno para formar jovens médicos.

"É imperativo que sejam recativadas as carreiras profissionais", defende João Correia da Cunha, médico atualmente reformado, antigo Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar Lisboa Norte e Presidente da Mesa da Assembleia Geral da Secção Regional Sul da Ordem dos Médicos.

A revisão dos 'numerus clausus' e a reativação das carreiras serviria para contrariar a tendência de envelhecimento dos médicos e também para incentivar a dedicação em áreas especializadas com poucos médicos e apoiar a sua fixação.

Até porque, segundo este estudo, há assimetrias regionais significativas no que toca ao número de médicos, com o Algarve e o Alentejo a apresentarem as principais carências.

"Isto resolve-se apoiando a formação pós-graduada nas regiões e incentivando a fixação de médicos a nível regional", defende João Correia da Cunha.

Como recomendação global, o autor do estudo defende que a Ordem dos Médicos e o Ministério da Saúde devem trabalhar em conjunto para redefinir as capacidades formativas e as vagas, sobretudo nas áreas carenciadas: "É fundamental a planificação para se preparar os próximos 20 anos no âmbito da atividade deste grupo profissional".

A análise demográfica dos anos de 1996 a 2014 mostra que se deu uma feminização da classe médica, com uma imersão gradual de mulheres um pouco por todas as especialidades, ascendendo a 51% face aos homens.