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Buscas na sede da proteção civil por causa dos helicópteros de combate aos incêndios

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Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ recolheu documentos relacionados com contratos efetuados entre a ANPC e aeródromo de Ponte de Sor

A Polícia Judiciária realizou hoje buscas na sede da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), em Carnaxide, e no aeródromo de Ponte Sor. "As buscas estão relacionadas com a aquisição dos helicópteros Kamov", confirmou ao Expresso fonte oficial.

Os elementos da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ recolheram documentos relacionados com contratos efetuados pela ANPC, nomeadamento na compra e venda dos helicópteros de fabrico russo que combatem os incêndios florestais.

O Ministério da Administração Interna confirmou à Lusa a presença de elementos da PJ nas instalações da ANPC, sublinhando que prestará toda a colaboração às autoridades.

Em nota enviada às redações, a Procuradoria-Geral da República refere que "em causa estão suspeitas da prática dos crimes de corrupção, participação económica em negócio, falsificação e prevaricação".

Há dez anos, o então ministro da Administração Interna António Costa adquiriu dez helicópteros: seis Kamov (pesados) e quatro B3-Ecureuil (ligeiros). A frota custou 62 milhões de euros.

Desde então, a polémica em redor dos Kamov não tem parado.

Um desses Kamov teve um acidente em setembro de 2012 quando combatia um incêndio na zona centro do país. Dois ocupantes ficaram feridos e o aparelho ficou desde então por reparar num armazém de Ponte de Sôr. Mas encontra-se praticamente destruído.

No último verão os bombeiros queixaram-se do número de reduzido de aparelhos a auxiliar o combate aos fogos. Em junho, apenas três estavam operacionais (um Kamov e dois B3-Ecureuil).

Há duas semanas, o secretário de Estado da Administração Interna, Jorge Gomes, declarou que os dois helicópteros Kamov inoperacionais vão ser reparados "com a máxima urgência" para que possam integrar o dispositivo de combate a incêndios florestais do próximo verão.

Nesta altura, dos seis helicópteros Kamov da frota do Estado apenas três estão aptos para voar, estando dois inoperacionais e outro acidentado desde 2012 quando se despenhou durante um combate a um incêndio em Ourém.

Sobre este Kamov, o secretário de Estado afirmou então que “ainda está tudo a ser repensado para ver qual o destino final” deste helicóptero pesado que se encontra “quase destruído”.

Jorge Gomes adiantou que, neste momento, vão ser reparados “com a máxima urgência” os dois helicópteros inoperacionais que já não fizeram parte do dispositivo de combate a incêndios de 2015.

Segundo o secretário de Estado, a reparação destes dois helicópteros pesados vai custar cerca de sete milhões de euros.

Para Jorge Gomes, não se pode ter inoperacionais dois equipamentos que “são de grande capacidade, grande porte e importantíssimos para o combate aos incêndios”.