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Morreu José Boavida

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DV

Ator estava em coma há mais de duas semanas, depois de ter sofrido uma paragem cardiorrespiratória

Internado há mais de duas semanas e em coma induzido, após ter sofrido uma paragem cardiorrespiratória, o ator José Boavida morreu esta madrugada no Hospital Amadora-Sintra.

Segundo a SIC Notícias, que adianta a informação, o ator morreu à meia-noite e meia. Tinha 51 anos.

José Boavida sentiu-se mal no dia 7 de janeiro, depois de jantar, perto do Palácio de Queluz, tendo desmaiado junto ao carro. O auxílio prestado pelo INEM chegou a ser posto em causa, com notícias que citavam a filha do ator acusando o serviço de negligência, dada a demora no socorro, mas a família acabou por usar as redes sociais para fazer um esclarecimento.

Numa partilha publicada no dia 19, Gabriel Boavida agradeceu “toda a dedicação, esforço e empenho dos ‘profissionais’ de Socorro dos Bombeiros Voluntários de Queluz bem como aos profissionais do INEM”, considerando terem desempenhado “as suas funções exemplar e escrupulosamente”.

A família reconheceu, isso sim, ser “extremamente doloroso pensar que por causa de politicas de contenção de despesas por parte das Administrações dos Hospitais e a secretaria de Estado da Saúde e INEM, haja cidadãos a perder a vida ou a ficarem inutilizados para sempre”, numa alusão à falta de um Veículo Médica de Emergência e Reanimação (VMER) do Hospital Amadora-Sintra - apesar de estar a apenas 1900 metros deste hospital, dizia a família, o ator teve de aguardar a chegada de uma ambulância “vinda de São Francisco Xavier (que fica a 11km)”.

Natural de Castelo Branco, José Boavida, que celebrou 30 anos de profissão no ano passado, participou em diversas séries de televisão e telenovelas nacionais, como Telhados de Vidro, Inspetor Max, Doce Fugitiva, Morangos com Açúcar e, mais recentemente, na série Bem-vindos a Beirais.

Mas o cinema também contou com a presença de Boavida, tendo entrado em filmes como "O Grande Kilapi", de Zézé Gamboa, A Vida Privada de Salazar", de Jorge Queiroga, o "Contrato", de Nicolau Breyner, "Amália - O Filme", de Carlos Coelho da Silva, "O mergulho", de Jorge Paixão da Costa, "Até amanhã camaradas", de Joaquim Leitão, "Capitães de Abril", de Maria de Medeiros, e "Alta Fidelidade", de Tiago Guedes e Frederico Serra, entre outros.

No teatro, participou em diversas peças ao longo da sua carreira, tendo começado em 1992 em A Barraca, com o "Mi Rival de Ralph Talbot", encenado por Hélder Costa, participando durante duas décadas e meia em mais de 20 peças.

Em 2013, subiu ao palco do Teatro Tivoli com "O Tesouro", numa encenação de José Wallenstein.

Além de ator de televisão e cinema, Boavida foi também encenador de inúmeras peças que subiram ao palco do Teatro AltaCena, da Sociedade Guilherme Cossoul, em Lisboa, a última das quais em 2012: "O Menino que queria ser Presidente", de Thomas Hadiberg.