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A última e comovente mensagem do homem que tentou atravessar sozinho a Antártida

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Henry Worsley, explorador britânico, faleceu depois de tentar atravessar a Antártida a pé, sozinho e sem ajuda

O mundo acordou esta segunda-feira com a notícia da morte de Henry Worsley, o explorador britânico que tentava ser o primeiro a atravessar sozinho todo o imenso continente antártico. Depois de 71 dias e 1469 quilómetros a pé, sujeito a temperaturas extremas e apenas munido de um trenó, tenda e comida, Worsley ficou a escassos 48 mil metros de completar a missão.

A BBC revelou uma impressionante mensagem áudio gravada por Worsley na passada sexta-feira. A gravação é a sua última antes de ter falecido no Chile, vítima de um "colapso total dos órgãos". Preso na tenda onde passou dois dias antes de ser resgatado por uma equipa de emergência, o aventureiro mostrava-se devastado por ter de interromper a missão.

Antes de partir para a Antártida, Henry Worsley (à direita) explicou ao príncipe William detalhes da sua expedição isolada ao Polo Sul

Antes de partir para a Antártida, Henry Worsley (à direita) explicou ao príncipe William detalhes da sua expedição isolada ao Polo Sul

John Stillwell / WPA Pool / Getty Images

Na mensagem, Worsley revela sinais da "exaustão e desidratação extremas" de que foi vítima. "Hoje, tenho a informar-vos com alguma tristeza que cheguei ao meu limite", diz, anunciando o fim da linha na expedição.

As últimas palavras de Worsley são quase premonitórias de uma batalha que o próprio tinha ainda esperança de completar. "Muitos montanhistas batalham e não atingem o seu cume. Eu não conseguirei alcançar o meu".

O caixão com os restos mortais de Henry Worsley fotografado no aeroporto de Punta Arenas, no Chile, antes de ser trasladado para o Reino Unido

O caixão com os restos mortais de Henry Worsley fotografado no aeroporto de Punta Arenas, no Chile, antes de ser trasladado para o Reino Unido

ANDRES POBLETE / EPA

Henry Worsley era descendente de Sir Ernest Shackleton, o explorador que cem anos antes havia tentado, em grupo, uma jornada idêntica. A ideia do ex-militar do exército britânico seria percorrer a pé a maior parte da viagem não feita pelo seu antepassado, um feito elogiado pelo príncipe William, neto da rainha Isabel II e provável sucessor desta.