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#BeLikeBill. Quem quer ser como o Bill?

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VIRAL. Em poucos dias, Be Like Bill tornou-se um fenómeno das redes sociais

Conhece o Bill? Se tem conta no Facebook, é muito provável que nos últimos dias se tenha cruzado com ele. O Bill não é de carne e osso, mas em poucas semanas os seus memes (imagens humorísticas que acabam propagadas na Internet) tornaram-se um fenómeno das redes sociais. Com um característico gorro de malha, o Bill dá conselhos que deveriam ser óbvios para a maioria das pessoas, mas que, na era digital, parecem cada vez mais esquecidos. Nas suas sugestões sobre a etiqueta dos social media há desde críticas a selfies tiradas no ginásio a pensamentos vagos.

O Bill, por exempo, não escreve no Facebook que amanhã é fim de semana. Toda a gente sabe isso.

O Bill não se ofende com tudo o que vê na Internet.

O Bill gosta de correr, mas não está sempre a atualizar o estado no Facebook com as suas façanhas. Nenhum dos seus amigos está interessado.

E, sobretudo, o Bill não corre para o Facebook sempre que está a chover. Já todos perceberam isso.

O projeto foi criado em Itália por Eugeniu Croitoru, um emigrante moldavo de 23 anos que se descreve como um "empreendedor da Internet". Desde 7 de janeiro a página "Be Like Bill" já conquistou mais de milhão e meio de seguidores no Facebook e ganhou não só uma personagem feminina, Emily, como chegou a outras geografias e línguas: em árabe, é Bilal; em espanhol, José; na Malásia, é Rashid. A mensagem é sempre a mesma: "Este é o/a X. O/a X faz [algo]. Seja como o/a X". À BBC, Croitoru explicou que a personagem "pode ser qualquer pessoa inteligente, que tenha senso comum e não faça coisas irritantes".

Mas nem todos são fãs dos memes. Num artigo publicado na "New York Magazine", Brian Feldman defende que Be Like Bill "é a pior coisa" no Facebook. "O Bill representa o pior impulso dos social media: a afirmação de uma superioridade moral embrulhada numa irritante queixa passivo-agressiva. O Bill é todos os subtweets (tweet geralmente insultuoso direcionado a uma pessoa mas sem mencionar o nome desta), (…) todos os comentários presunçosos e condescendentes, ilustrados com a crueldade que o sentimento merece. Quem precisa disto? Que pessoa poderá ser convencido a emendar o seu comportamento por um cartoon desenhado primitivamente e que se expressa rudemente? Ninguém, claro".

Para Feldman, o meme Bill não se destina realmente a ninguém a não ser à pessoa que o partilha. E pode até ser, como o autor defende, uma forma ao sentimento de irritação que gera tantos conteúdos nas redes sociais e, ao mesmo tempo, assinalar a excelência do comportamento da pessoa que o partilha. Mas, ao fazê-lo, consegue tocar na ferida do que são os nossos comportamentos na Internet, tantas vezes dispensáveis É muito provável que, como tantos outros fenómenos efémeros, o Bill desapareça depressa. Depois dele, tudo continuará igual. É pena.