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Portugueses condecorados pelo rei de Espanha

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Angel Diaz / Reuters

Filipe VI premiou colaboração de historiador e especialista em condecorações num livro sobre a Ordem de Isabel, a Católica

“Acima de tudo, sabe bem ver reconhecida a colaboração numa obra internacional.” É assim que o historiador português Lourenço Correia de Matos reage à condecoração que recebeu do Reino de Espanha. Foi agraciado com a Cruz da Ordem de Isabel, a Católica, por ter integrado a comissão técnica do livro “La Real y Americana Orden de Isabel la Católica (1815-2015)”, lançado para comemorar o bicentenário daquela que é a segunda ordem honorífica mais importante do país vizinho, a seguir à Ordem de Carlos III. “Pessoalmente é uma honra, mas é prestigiante também para Portugal e para os laços entre os dois países.”

Correia de Matos falou ao Expresso no regresso de Madrid, onde recebeu esta terça-feira a condecoração concedida pelo rei Filipe VI, grão-mestre da Ordem. A cerimónia decorreu no palácio de Santa Cruz, sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros espanhol, onde foi inaugurada uma exposição sobre a Ordem de Isabel, a Católica – criada pelo rei Fernando VII a 24 de março de 1815 –, com a presença do ministro chefe da diplomacia espanhola, José Manuel García-Margallo. Composta por retratos, diplomas, condecorações, mantos, documentos e medalhas, entre outros, a mostra está patente até 28 de fevereiro.

Coordenado por Alfonso de Ceballos-Escalera, o livro em causa é obra de uma equipa constituída essencialmente por espanhóis, mas que incluiu Lourenço Correia de Matos e o especialista português em condecorações Vítor Escudero. O historiador e genealogista explica que o seu papel foi “biografar os portugueses agraciados com o colar ou a grã-cruz” daquela Ordem honorífica, para um conjunto de textos incluídos num CD distribuído com o livro. A restrição aos dois graus mais altos deve-se à impossibilidade de abarcar todos os condecorados: ao longo de dois séculos, a Ordem terá sido concedida a cerca de 71 mil pessoas.

Um instrumento de coesão e diplomacia

García-Margallo explicou, na cerimónia, que a Ordem de Isabel, a Católica, é “um dos instrumentos mais apreciados com que conta a ação externa de Espanha”. A condecoração, com graus que vão da cruz ao grande colar, contribui, na opinião do governante, para fortalecer as relações de amizade e cooperação entre Espanha e a comunidade internacional. É a distinção mais frequentemente atribuída a estrangeiros, já que a Ordem de Carlos III costuma ficar reservada a espanhóis, com a exceção dos chefes de Estado.

“A Ordem de Isabel, a Católica, é muito prezada em Espanha”, garante Correia de Matos. Os motivos são dois: a antiguidade e o facto de ter sido criada numa altura em que Espanha era um império. “Chamava-se, originalmente, Real e Americana Ordem de Isabel, a Católica”, conta o historiador, explicando que “servia para premiar a lealdade à Coroa, especialmente dos espanhóis que viviam fora da metrópole”. Isabel de Castela, a rainha que deu nome à Ordem reinou no século XVI e foi, com o marido Fernando de Aragão (conhecidos conjuntamente como Reis Católicos), um símbolo da unidade de Espanha.

O regulamento da Ordem diz que esta premeia “comportamentos extraordinários de caráter civil realizados por pessoas espanholas e estrangeiras e que resultem em benefício para a Nação ou contribuam, de modo relevante, para favorecer as relações de amizade e cooperação da Nação espanhola com o resto da Comunidade Internacional. Entre os portugueses agraciados estão os quatro presidentes da democracia (Eanes, Soares, Sampaio e Cavaco), ex-presidentes como Francisco Balsemão e António Guterres, além de antigos e atuais ministros e embaixadores.