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Placard. Santa Casa diz que culpa das apostas dos menores também é dos pais

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Pormenor do boletim do novo jogo da Santa Casa

Responsável pelo Departamento de Jogos garante que a fiscalização está a funcionar e apela aos pais para não darem aos filhos menores o número de contribuinte para estes poderem jogar à revelia da lei. “Jornal de Notícias” escreve esta quinta-feira que há “menores viciados e sem controlo no Placard”

O Departamento de Jogos da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa (SCML) não vê necessidade de reforçar a fiscalização sobre as apostas ilegais de menores no Placard e considera que está a falhar também o controlo dos pais, que dão aos filhos o número de contribuinte para que possam jogar.

"Nós temos a obrigação de controlar e de evitar que os menores joguem, e fazemo-lo através da formação dos mediadores (postos de venda) e da fiscalização por parte das autoridades. Mas depois há uma questão de educação por parte dos pais, que têm de ser sensibilizados. Os pais têm de tomar consciência de que isto pode ser um problema para os seus filhos e não lhes dar o número de contribuinte para que possam jogar. Mas acham graça e permitem", diz ao Expresso o vice-provedor e administrador-executivo do Departamento de Jogos da SCML, Fernando Paes Afonso.

O Placard, jogo de apostas desportivas lançado em setembro pela Santa Casa e que se revelou um enorme sucesso, com quase meio milhão de jogadores e mais de 65 milhões de euros em vendas, está a ganhar fama entre os menores, que chegam a fazer fila em papelarias e quiosques próximos das escolas para fazerem as apostas. Como estão legalmente impedidos de apostar até completarem 18 anos, os mais jovens dão o número de contribuinte dos pais ou de um amigo mais velho, requisito obrigatório para poderem jogar.

"A experiência dos nossos parceiros internacionais dava-nos conta de que este tipo de jogo podia atrair o interesse de jovens menores. Foi também por isso que associámos o Placard à obrigatoriedade de dar o número de contribuinte, o que não acontece noutros jogos", explica o responsável.

Segundo o "Jornal de Notícias" desta quinta-feira, a GNR de Alpiarça identificou dois menores de 15 e 16 anos na posse de um boletim do Placard e levantou uma contraordenação a um quiosque perto da escola secundária local por ter vendido as apostas aos jovens. A denúncia foi feita por educadores e encarregados de educação, que alertaram a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens do concelho para o facto de os jovens estarem a gastar o dinheiro das refeições para fazer as apostas desportivas.

A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa foi informada do caso pela GNR de Alpiarça, na passada terça-feira, e vai agora punir o quiosque, "que poderá perder a autorização" de exploração dos jogos da Santa Casa, além de arriscar uma coima que pode chegar aos 25 mil euros.

"A grande maioria dos mediadores cumpre as regras. Neste momento não vejo necessidade de alterar os procedimentos. Os que estão em vigor estão a funcionar", assegura o administrador do Departamento de Jogos, frisando que os postos de venda são obrigados a pedir a identificação sempre que tiverem "dúvidas fundadas" sobre a idade dos apostadores.

Além da fiscalização por parte da PSP e GNR - que não têm dados sobre esta matéria - Paes Afonso explica que a Santa Casa procede duas vezes por ano a um controlo através do mecanismo do "cliente mistério".

"Nós controlamos. Mas continua a haver domínios de jogo ilegal na internet, nomeadamente de apostas desportivas e poker, onde não existe qualquer controlo", critica.