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Placard, o jogo de apostas que está a viciar os mais novos

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Pormenor do boletim do novo jogo da Santa Casa

Para jogar é preciso ter mais de 18 anos, mas só em teoria. Na prática, os menores de idade fazem fila em quiosques perto das escolas que frequentam e gastam o dinheiro do almoço em apostas desportivas

Para começar a jogar, o registo é feito numa qualquer papelaria, junto de um mediador de jogos, apresentando o cartão de cidadão de alguém com mais de 18 anos. A partir desse momento, é emitido um talão com o número de contribuinte associado e de todas as vezes que a pessoa quiser jogar basta apresentar esse papel. Apresentamos-lhe o Placard, o jogo de apostas desportivas que está a ganhar fama entre os menores de idade.

A estratégia utilizada varia: como legalmente estão impedidos de apostar, os mais jovens dão o número de contribuinte dos pais ou de um amigo mais velho ou até o seu próprio NIF, uma vez que muitos dos mediadores não verificam se têm mais de 18 anos. O vício traduz-se, conta o “Jornal de Notícias” desta quinta-feira, em grandes filas para fazer apostas nos dias em que jogam Sporting, FC Porto ou Benfica, normalmente nos quiosques próximos das escolas.

Apesar de o Placard contar, em quatro meses, com quase meio milhão de jogadores e 77 milhões de apostas - que já renderam mais de 65 milhões de euros em vendas brutas -, as autoridades não têm estado atentas às movimentações ilegais dos mais novos. Ao matutino, a Santa Casa da Misericórdia relembra que os mediadores têm a responsabilidade de verificar a idade de quem aposta, negando ter conhecimento de situações deste tipo. Já a GNR declara que de momento “o fenómeno em termos de registo não tem atualmente relevância para ser tratada a nível estatístico”.

Dois jovens identificados em Alpiarça

No entanto, isso pode estar a mudar: esta terça-feira, a GNR de Alpiarça identificou dois menores de 15 e 16 anos na posse de um boletim no valor de dois euros que poderia dar um lucro de até 28,90 euros. Ao mediador, que trabalha num quiosque perto da Escola Secundária José Relvas, foi levantada uma contraordenação que pode ir até aos 25 mil euros, além de arriscar a perda da licença de exploração de atividade, noticia o matutino.

A denúncia foi feita por educadores e encarregados de educação, que alertaram a Comissão de Proteção de Crianças e Jovens para o facto de os jovens estarem a gastar o dinheiro das refeições para fazer apostas.

O sucesso do Placard - neste momento o terceiro jogo mais popular depois da Raspadinha e do Euromilhões - entre os mais novos pode estar ligado à aplicação para smartphone associada ao jogo. Na aplicação não é possível fazer apostas, uma vez que esta serve apenas para fornecer informações sobre o jogo e fazer simulações.