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Corporación Dermoestética declarada insolvente

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EM QUEDA. Faturação da empresa, que tem cinco clínicas em Portugal, caiu nos últimos anos

d.r.

A rede de clínicas que tratou, entre outras celebridades, Lili Caneças, soma prejuízos acumulados de mais de 6 milhões de euros e não consegue pagar a tempo as suas obrigações financeiras

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A Corporación Dermoestética, uma das mais conhecidas redes de clínicas de estética a operar em Portugal, foi declarada insolvente pelo Tribunal da Comarca de Lisboa. Há vários anos com uma exploração deficitária, que acumula prejuízos, a representação portuguesa da rede espanhola registava, pelo menos até há um par de anos, capitais próprios negativos em torno dos 6 milhões de euros.

A sentença de insolvência da empresa foi proferida a 14 de janeiro, tendo esta quarta-feira, 20 de janeiro, sido nomeado o administrador da insolvência, Adelino Aguiar. Contactado pelo Expresso, este explicou ter tido apenas ontem conhecimento da sua nomeação para gerir o processo de insolvência da Corporación Dermoestética, pelo que não tem para já dados sobre o histórico da empresa nem sobre a sua situação financeira atual.

Para já abre-se agora um prazo de 30 dias para que os credores da empresa possam formalmente reclamar na Justiça os montantes que tenham por receber daquela rede de origem espanhola. Segundo as informações recolhidas pelo Expresso, ao longo do ano passado foram intentadas contra a Corporación Dermoestética mais de uma dezena de ações judiciais em Portugal, estando em causa nestes litígios um pouco mais de 200 mil euros.

Mas a dimensão do passivo da empresa é superior. Os últimos dados que foi possível obter sobre a situação financeira da Corporación Dermoestética em Portugal indicam que no final de 2013 a empresa tinha um passivo total próximo dos 8 milhões de euros e ativos de cerca de 1,8 milhões. Os capitais próprios nessa altura eram negativos em 6,1 milhões, evidenciando uma situação de falência técnica, que resulta da acumulação de resultados líquidos negativos ano após ano.

Com três dezenas de funcionários e cinco clínicas abertas em Portugal, a Corporación Dermoestética foi durante anos uma das mais mediáticas redes de clínicas de cirurgias estéticas. Foi lá, por exemplo, que durante anos a socialite Lili Caneças fez uma série de intervenções cirúrgicas. E outras celebridades nacionais recorreram também aos serviços desta empresa para tratar da sua imagem.

Contactada esta quinta-feira pelo Expresso para se pronunciar sobre a sua situação financeira e o futuro das clínicas e dos trabalhadores, a Corporación Dermoestética não respondeu ainda às questões colocadas. Mas foi possível apurar que a exploração das suas clínicas em Portugal passou para a empresa Sorisa, uma sociedade com sede em Lisboa e que atua há mais de três décadas nas áreas da saúde e da estética. Até 2014 a Corporación Dermoestética faturava em Portugal mais de 2 milhões de euros por ano.

A insolvência agora declarada foi solicitada em maio de 2015, depois de serem públicas as dificuldades financeiras da casa-mãe, em Espanha, que no final de 2014 iniciou um processo de despedimento coletivo dos seus cerca de 300 trabalhadores em Espanha.

Em 2005, quando entrou em bolsa, avaliada em mais de 400 milhões de euros, a Corporación Dermoestética foi alvo em Portugal de uma série de queixas junto da Deco. Cerca de duas dezenas de reclamações chegaram na altura à associação de defesa de consumidores, algumas das quais relacionadas com danos físicos causados por intervenções feitas naquelas clínicas e outras motivadas por questões administrativas ou de qualidade do atendimento.

A declaração de insolvência reconhece, juridicamente, que a empresa não consegue cumprir atempadamente as suas obrigações, como, por exemplo, o pagamento aos fornecedores e colaboradores ou o reembolso de empréstimos. Mas a sentença, só por si, não implica o fim da empresa, já que esta poderá pôr em marcha um plano de regularização das dívidas e um programa de recuperação. No entanto, de uma insolvência também pode resultar, no limite, a liquidação da empresa. Tudo depende do apuramento da situação financeira da sociedade e das negociações entre o administrador judicial, a empresa e os seus credores.

Na prática, a declaração da insolvência da Corporación Dermoestética suspende os processos de execução de que a empresa era alvo, protegendo-a da obrigação imediata de pagar as dívidas que já tenham sido reclamadas em tribunal. Esses processos terão agora de aguardar pelo desenvolvimento do processo de insolvência da rede de clínicas estéticas.