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Morreu o arquiteto Nuno Teotónio Pereira

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António Pedro Ferreira

Foi o grande pensador da Arquitetura em Portugal. O primeiro a refletir sobre a sua multidisciplinaridade e sobre a sua estreita relação com o desenvolvimento do país, quer a nível social, quer económico. Fez parte de todas as grandes comissões de aconselhamento arquitetónico, de comités habitacionais, de sindicatos. E deixou obra feita. Muita e muito premiada. Morreu no hospital. Faria 94 anos no dia 30 de janeiro

O arquiteto Nuno Teotónio Pereira faleceu esta manhã, confirmou o Expresso junto de fonte familiar. Estava hospitalizado há tempos e sucumbiu a poucos dias de completar 94 anos.

Nuno Teotónio Pereira nasceu em Lisboa a 30 de janeiro de 1922. Na Escola de Belas-Artes da capital, formou-se em Arquitetura em 1949 com distinção: 18 valores, Nessa altura, já tinha a experiência do trabalho prático, pois tinha sido colaborador no ateliê do arquiteto Carlos Ramos entre 1940 e 1943, e já pensava a arquitetura enquanto política habitacional.

Participou no I Congresso Nacional de Arquitetura em 1948, e, como arquiteto estagiário, fez parte, com Costa Martins, da comunicação Habitação Económica e Reajustamento Social.

Logo a seguir a terminar o curso, foi proposto para sócio do Sindicato Nacional dos Arquitetos, tendo fundado em 1952 o Movimento para a Renovação da Arte Religiosa. Entre 1948 a 1972, foi consultor de Habitações Económicas na Federação das Caixas de Previdência, tendo realizado o primeiro concurso para habitações de renda controlada.

Foi presidente do Conselho Diretivo Nacional da A.A.P. nos mandatos 1984-1986 e 1987-1989 e em 1966 tinha sido Presidente da Secção Portuguesa da U.I.A. - S.P.U.I.A. A nível internacional foi o primeiro delegado português ao Comité do Habitat da União Internacional dos Arquitetos em Bucareste, em 1966.

Mas não foi só teoria o legado que nos deixou, independentemente do valor que a sua reflexão teve num país onde a arquitetura não era sequer entendida como multidisciplinar e associada ao desenvlvimento social e económico. Assinou obras como a Torre de Habitação nos Olivais, o Edifício Franjinhas na Rua Braamcamp e a Igreja do Sagrado Coração de Jesus, por exemplo. Trabalhos que lhe valeram o reconhecimento dos seus pares e da comunidade em geral. Com estes projetos tornados realidade, ganhou o 2.º Prémio Nacional de Arquitetura da Fundação Gulbenkian, o Prémio AICA e três prémios Valmor.

Em 1971, Nuno Teotónio Pereira ganhou o prémio Valmor com o edifício Franjinhas, localizado na esquina das avenidas Brancaamp e Castilho, em Lisboa

Em 1971, Nuno Teotónio Pereira ganhou o prémio Valmor com o edifício Franjinhas, localizado na esquina das avenidas Brancaamp e Castilho, em Lisboa

"Livro LX70 - Lisboa do sonho á Realidade"

A igreja Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, valeu em 1975 outro prémio Valmor a Nuno Teotónio Pereira

A igreja Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, valeu em 1975 outro prémio Valmor a Nuno Teotónio Pereira

DR

Também galardoados, são seus o edifício na Rua Diogo Silves, nº 18, os edifícios na Rua Gonçalo Nunes nºs 31 – 45, ambos no Restelo, bem como um empreendimento de 144 fogos em Laveiras, concelho de Oeiras.

No entanto, terá sido o Bloco do Aqueduto das Águas Livres, em Lisboa, a sua obra mais grandiosa. Tal como o reconhecimento mais tardio chegado em abril do ano passado: o Prémio Universidade de Lisboa pelo exercício “brilhante” na área da arquitetura e como “figura ética”.