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Segurança de Pinto da Costa libertado com pulseira eletrónica

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O principal suspeito da Operação Fénix, Eduardo Silva, estava em prisão preventiva desde julho. O juiz de instrução considera que já não existe o risco de o segurança continuar a cometer os crimes de que é acusado

Era o homem de confiança de Pinto da Costa e o patrão da segurança noturna em Lisboa e no Porto. Eduardo Silva, mais conhecido por 'Edu' ou 'Maestro', dono da empresa de segurança SPDE e o epicentro na investigação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) ao submundo da noite, sai do Estabelecimento de Caxias onde estava em prisão preventiva há seis meses. E vai para casa com pulseira eletrónica.

O Expresso sabe que o juiz Ivo Rosa, do Tribunal Central de Instrução Criminal, considera que ficou reduzido o risco de continuação das atividades criminosas pelo facto de a organização liderada por 'Edu' ter sido desmantelada. Outro argumento para a sua libertação é a de ter ficado diminuído o perigo de perturbação da prova uma vez que a investigação se encontra terminada.

São ao todo 57 os indivíduos acusados pelo DCIAP no âmbito da Operação Fénix, o inquérito-crime relacionado com as atividades de uma empresa de segurança privada, a SPDE. Entre os arguidos que o Ministério Público quer ver sentados no julgamento está Pinto da Costa. O presidente do Futebol Clube do Porto é acusado da prática de crime de exercício ilícito da atividade de segurança privada, a mesma acusação de que foi alvo também Antero Henrique, diretor-geral da SAD portista. Pinto da Costa e Antero Henrique são acusados pelo facto de, segundo o Ministério Público, terem requisitado serviços de acompanhamento e proteção pessoal à SPDE, tendo alegadamente consciência de que não o podiam fazer.

Na Operação Fénix, além do exercício ilícito da atividade de segurança privada, estão em causa outros crimes: extorsão, coação, ofensa à integridade física grave, tráfico e detenção de arma proibida, favorecimento pessoal e associação criminosa.

Desde 2014 que Eduardo Silva fazia parte do núcleo de confiança do presidente do FC Porto, segundo o Ministério Público. Acompanhava Pinto da Costa e a mulher durante as deslocações da equipa fora da Invicta, como aconteceu a 26 de setembro de 2014, num jogo contra o Sporting.

Os serviços de proteção pessoal de Eduardo Silva estendiam-se a toda a família do presidente portista. Chegou a fazer segurança ao irmão e irmã de Pinto da Costa quando uma casa da família foi assaltada. A 18 de novembro desse ano, Antero Henrique ligou a um membro da SPDE para acompanharem a irmã do "Sr. Presidente" à referida moradia na Cedofeita. As ordens dentro do grupo era de acompanharem a familiar com "roupa normal" e não levarem "sapatinhas e fato de treino".

Depois do serviço, a irmã de Pinto da Costa terá dito que com aqueles seguranças podia ficar na casa "noite e dia", que não tinha medo de ninguém.

Segundo o despacho de acusação, Eduardo Silva era também requisitado para buscar Fernanda Pinto da Costa a casa ou para realizar operações mais complicadas como a de proteger o número 1 do FC Porto de possíveis desacatos dos adeptos depois de exibições medíocres da equipa em casa, como aconteceu a 18 de maio do ano passado.

O FCP dava estatuto ao líder da SPDE, empresa que no ano passado fazia a segurança de mais de 300 estabelecimentos de diversão noturna em todo o país. Para os procuradores do DCIAP, o objetivo era o de exercer a hegemonia total no mundo da noite. Quando foi contratado para fazer de guarda costas ao cantor angolano Anselmo Ralph, em maio de 2015, perguntou ao produtor do artista (que queria perceber o seu currículo) se ser segurança de Pinto da Costa não chegava para ele.

"Mato a todos de porrada", chegou a ameaçar quando uma recém inaugurada discoteca em Matosinhos ousou não contratar os serviços da SPDE. E até alguns agentes da PSP eram alvo de ameaças quando tentavam fiscalizar a empresa: "Vou ter mesmo de f... os corpos a um polícia... Isto vai rasgar para qualquer lado", exclamou a um chefe da PSP do Porto.