Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Vai dar um telemóvel ao seu filho? Aqui ficam alguns conselhos

  • 333

Sean Gallup

Telemóveis e smartphones são uma nova realidade na vida de pais - e de filhos. Qual a idade certa para dar um primeiro telemóvel? Se for o seu caso, deixamos-lhe algumas linhas orientadoras

Quantos de nós não conhecemos crianças que têm telemóvel, ou mesmo smartphones, com ligação à internet? Qual será a idade mais acertada para oferecer o primeiro telemóvel ao seu filho? Os especialistas são unânimes: uma prenda destas deve corresponder a uma necessidade efetiva - como por exemplo, se o seu filho passar a andar de transportes públicos sozinho, ou se for para um campo de férias e precisa de estar contactável - e não a um argumento do género "Mas todos os meus amigos têm...". O pediatra Mário Cordeiro defende que "só se deve ter telemóvel quando há necessidade de comunicar sem ser por outras vias. As necessidades criam-se, a todos os níveis", lembra. "E é bom saber estar consigo próprio, tentar que a comunicação “olhos nos olhos” substitua o virtual e saber não ser órfão do telemóvel, da televisão ou das redes sociais."

O que é um facto é que cada vez mais crianças têm telemóveis pessoais - e cada vez mais cedo. Na vizinha Espanha, mais de 25% dos meninos de 10 anos tem um, e aos 15 anos, o valor aumenta para 63%. Para os pais, aqui ficam alguns conselhos de regras a implementar.

1. Dê o exemplo

Os pais continuam a ser os principais educadores, e a educação faz-se pelo exemplo. Por isso, se não querem que os vossos filhos sejam viciados no aparelho e andem com ele para todo o lado, não sejam vocês próprios escravos do telemóvel. As alturas das refeições, o tempo de estudo, acompanhado ou não, ou o tempo passado no parque ou ao ar livre não devem ser interrompidos por tempo dos pais ao telemóvel. Os mais novos necessitam de sentir a nossa atenção indevida, e há estudos científicos que apontam que a dependência dos adultos relativamente ao telemóvel tem efeitos no desenvolvimento cognitivo e na autoestima dos menores.

2. Telemóvel com ligação à internet, sim ou não?

A internet faz parte da vida moderna e pode ser útil em muitas ocasiões. Se optar por um telemóvel que o permita aceder à internet, lembre-se que controlar tudo o que o seu filho faz é impossível, e também não será uma forma saudável de cimentar a vossa relação. O diálogo continua a ser a arma mais importante dos pais, e é preciso dar espaço à privacidade dos seus filhos.

3. Estabeleça regras

Como em tudo na vida, é necessário estipular limites. Faça um "contrato" com o seu filho, com as regras sobre tempo de utilização, "downloads", redes sociais... Nunca é demais alertar para os "básicos" da segurança na internet: não aceitar pedidos de amizade de estranhos no Facebook, ter atenção às fotos que se publicam, por muito inocentes que pareçam, desativar funcionalidades como a localização, que pode ser usada por pessoas mal-intencionadas. É importante lembrar que aquilo que é colocado na internet tem "rasto", ou seja, nunca desaparece depois de postado - e isso levanta questões sensíveis. A questão do 'ciberbullying' é real para muito mais crianças do que seria desejável, e por isso é fundamental reiterar a importância de valores como o respeito na interação virtual.

4. Crie um clima de cumplicidade

Confiança e comunicação são fatores-chave na relação entre pais e filhos. No "Guia Parental para manter os filhos seguros na internet", do Programa Internet Segura da União Europeia, uma das regras consideradas de ouro é "fomentar a confiança mútua, transmitindo aos seus filhos que podem falar sobre os seus erros, de modo a poderem procurar soluções em conjunto". Os erros fazem parte da aprendizagem. E se os seus filhos sentirem que em vez de os repreender saberá ouvi-los, em caso de aflição, mais facilmente partilharão as suas dúvidas consigo.

5. Fixe horários

Há coisas que têm de manter-se sagradas, e os locais e horários de utilização dos telemóveis são uma delas. Caso queira que o seu filho leve o telemóvel para a escola, é muito importante que lhe explique que este tem de estar desligado durante o tempo de aulas. Mas é igualmente importante que o telemóvel tenha uma hora certa para ser desligado à noite, de modo a não interferir com os horários de sono dos mais novos. Para que a luz de mensagens a entrar não perturbe o seu tempo de descanso, não devem estar apenas no silêncio - e não há como estarem desligados para não haver a tentação de jogar jogos ou trocar mensagens mais ou menos próprias.

6. Respeite a privacidade dos seus filhos

Num inquérito nacional de 2016 do Pew Research Center, em Washington, nos EUA, realizado a pais de adolescentes entre os 13 e os 17 anos, quase metade (48%) admitiu saber a password do seu filho da conta de email, e 43% admitia conhecer a 'password' dos telemóveis destes. Paulo Gomes, psicólogo e investigador na equipa da Aventura Social, defende que "a privacidade dos mais novos deve ser preservada, e a sua monitorização deve existir num espaço de partilha e entreajuda, e não num espaço de mero controlo". Lembre-se: os seus filhos estão a crescer, a tornarem-se "adultos" com personalidade própria, e têm direito à sua esfera de privacidade.

7. Aprenda com os seus filhos

Não é novidade nenhuma que a nova geração domina as novas tecnologias de um modo que os seus pais não. Aproveite isso para aprender como se usam uma série de ferramentas e aplicações. Perguntando-lhes quais as suas aplicações preferidas, saberá quais usam - e no melhor dos cenários, as que lhe podem ser úteis a si.