Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Molécula de ensaio fatal em França foi criada em Portugal há mais de 5 anos

  • 333

Vista geral da entrada do Hospital de Rennes, onde seis pessoas estão internadas (uma em morte cerebral e cinco em estado grave) após ensaio clínico com molécula criada em Portugal

STEPHANE MAHE / Reuters

Ensaio clínico em Rennes deixou uma pessoa em morte cerebral. Molécula foi desenvolvida pela portuguesa Bial. Testes em humanos começaram em 2015

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

O ensaio clínico em Rennes, França, que levou à hospitalização de seis pessoas, deixando uma em morte cerebral, envolve uma molécula criada e desenvolvida pela farmacêutica portuguesa Bial desde pelo menos 2010.

Em causa está a molécula "BIA 10-2474", que consta do plano de desenvolvimento de medicamentos da Bial como um produto indicado para patologias neurológicas e psiquiátricas. Trata-se de um projeto que entrou na fase 1 de ensaios clínicos em julho de 2015, depois de em fevereiro de 2010 ter entrado na fase pré-clínica.

Longe ainda de chegar ao mercado como medicamento, uma vez que ainda precisaria de passar pelas fases 2 e 3 de ensaios clínicos (que envolvem também o teste em pacientes), o projeto "BIA 10-2474" é um de sete processos que a Bial está a desenvolver e que ainda não chegaram à fase de comercialização.

Além da molécula que estava agora a ser testada no mercado francês, e que funcionaria como analgésico para a dor crónica e para efeitos associados a doenças como Parkinson, por exemplo, a Bial tem em desenvolvimento outros produtos nas áreas da hipertensão arterial pulmonar, inflamação e sistema respiratório, entre outras indicações.

No caso que levou à hospitalização de seis pessoas - uma em morte cerebral e outras cinco em estado grave - após um ensaio clínico com esta molécula, o "Le Monde" escreve que se tratou de um teste em oito pessoas, das quais seis receberam a molécula da Bial e duas apenas receberam um placebo. De acordo com o jornal francês, ao contrário de informações inicialmente divulgadas, o fármaco em desenvolvimento não contém substâncias derivadas da canábis.