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Filhos de Savimbi processam editor do jogo “Call of Duty”

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Captura de ecrã

Os três filhos do antigo opositor do regime angolano decidiram avançar com um processo judicial e exigem o pagamento de uma indemnização no valor de um milhão de euros

Helena Bento

Jornalista

A família de Jonas Savimbi, falecido líder da UNITA, iniciou um processo judicial por difamação contra a filial em França da empresa norte-americana Activision Blizzard, que edita o jogo "Call of Duty", por considerar que Savimbi é apresentado como um "bárbaro" na edição de 2012, intitulada "Black Ops II".

Os três filhos do antigo opositor do regime angolano decidiram agora avançar com o processo judicial e exigem o pagamento de uma indemnização no valor de um milhão de euros, segundo a AFP.

Jonas Savimbi liderou durante décadas a União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), em oposição ao regime de Luanda e o partido dominante, o MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola). Foi morto em 2002 na província do Moxico, leste de Angola, durante uma operação das Forças Armadas angolanas que resultou também na morte de elementos da sua guarda pessoal.

Na edição de 2012 do jogo "Call of Duty", Savimbi surge como aliado do herói do jogo, Alex Mason, numa missão no Cuando Cubango, em 1986, durante a guerra civil angolana. Savimbi ajuda Mason a resgatar um agente da CIA que é feito prisioneiro na selva.

Carole Enfert, advogada da família, diz que Savimbi é representado no jogo "como um grande idiota que quer matar toda a gente", quando na verdade, sustenta, foi "um líder político e estratega". Apesar de descrito pelo ex-Presidente dos EUA Ronald Reagan como um lutador pela liberdade, o guerrilheiro foi sempre um figura controversa em Angola.

A Activision Blizzard recusa as acusações, considerando que o jogo representa Savimbi como um "tipo bom" e como aquilo que ele era: "Uma figura da história angolana, um chefe de guerrilha que combateu contra o MPLA."