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Crónica: Haja peito, Alex

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Rui Caria

Numa breve passagem pelas redes sociais, pode perceber-se que os açorianos vivem a tempestade sem intempérie. Os furacões dos açorianos são coisas dos outros. Hoje, quem não saiu de casa, entreteve-se nas redes de amigos da Internet; o Alex foi o mote. Durante a noite: preocupação enquanto se aguardava a chegada dele anunciada pelas notícias. Durante o dia e depois de se perceber a sua relativa falta de imponência, começou a dança dos trocadilhos no Facebook; “Vento encanado”, “brisa”, “Alexzinho” e tudo o que a bonança oferece à criatividade de quem não tem medo de furacões, só porque é dos Açores.

Os acontecimentos da região noticiados “lá fora” são sempre demasiadamente condimentados para o paladar dum ilhéu. Quase nunca é sem a expressão de espanto, que um açoriano ouve, ou lê, uma peça jornalística sobre a sua terra. São sempre uns exagerados, estes continentais! E quando trocam as ilhas todas, ou acrescentam ilhas como se borbulhassem do mar? “é home… na sabem nada estes continentais”. Angra não é uma ilha, Ponta Delgada pode ser nas Flores porque não existe capital nos Açores. Nos Açores, existem furacões mais ou menos fortes, que quase sempre mudam muito pouco a aparência da geografia.

O Alex passou sem sopro maior, o próximo do abecedário também passará sem deixar marcas, e mesmo que as deixe, o açorianismo - que parece ser algo semelhante a resiliência, - saberá impor-se para manter o equilíbrio de quem sabe viver no meio do mar, com o mundo à sua volta. Hoje foi dia de tempestade nas ilhas dos grupos central e oriental, que o Corvo e as Flores, também precisam de tréguas de vez em quando. Choveu durante horas, o vento constante durou toda a noite e todo o dia. Poucas ocorrências foram registadas; os bombeiros e a proteção civil, apesar da prontidão, tiveram um dia descansado. Quem não gostaria de ter uma tempestade assim? Até um ciclone passa a furação só porque chega aos Açores. Disto não se vê em Portugal… Bolas! Somos todos, Portugal.