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Como se fosse um dia normal: o Alex deixou os Açores quase em paz

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EDUARDO COSTA/LUSA

Furacão Alex acabou por ter menos impacto do que se previa na passagem pelos Açores, em parte devido à colaboração dos habitantes, que seguiram à risca as medidas recomendadas pela Protecção Civil. Vários moradores protegeram as suas casas com estrados e sacos de areia

Helena Bento

Jornalista

Às 13h44 (12h44 locais), o meteorologista Carlos Ramalho, do Instituto Português do Mar e Atmosfera (IPMA), dizia ao Expresso que o furacão Alex estava a cerca de 20 quilómetros a leste da Ilha Terceira. A tensão era grande. A Terceira estava apontada, desde o início, como a ilha com maior probabilidade de "sofrer o impacto direto da situação".

A população preparara-se para o pior. Tal como os habitantes das outras ilhas dos Açores, os moradores da Terceira seguiram à risca as práticas recomendadas pela Proteção Civil - desobstrução dos sistemas de escoamento das águas, retirada de inertes e outros objetos que pudessem ser arrastados ou criar obstáculos ao livre escoamento das águas, explicou durante a manhã ao Expresso Ana Isa Cabral, assessora do Serviço Regional de Proteção Civil e Bombeiros dos Açores.

ANTÓNIO ARAÚJO/LUSA

Escolas, creches e centros sociais foram encerrados com o objetivo de reduzir o número de pessoas a circular nas ruas, sobretudo junto da orla costeira e zonas ribeirinhas. Uma reportagem da TVI desta semana mostrava vários moradores a proteger as suas casas com estrados e sacos de areia. Os Açores estavam em alerta máximo. Ninguém queria ver repetido o cenário de dezembro passado, quando um homem de idade entre os 50 e os 60 anos morreu durante uma tempestade que assolou o arquipélago. Ou até o de 1938, ano em que rebentou uma forte tempestade sobre a ilha de São Miguel que levou os habitantes a pregar tábuas de madeira nas janelas e portas das casas para se protegerem do vento e da chuva, episódio que muitos ainda recordam.

EUMETSA/IPMA

Esta sexta-feira de manhã, os primeiro sinais de alerta surgiram com a notícia da queda de árvores, pequenas derrocadas e transbordo de ribeiras nas ilhas do Grupo Oriental e Central. Cerca das 9h (8h locais), a meteorologista Fernanda Carvalho, da delegação regional dos Açores do IPMA, disse à Lusa que em várias ilhas os valores de queda de precipitação ultrapassavam os 10 litros por metro quadrado. As ilhas da Terceira e São Jorge mantinham-se como "as mais críticas".

Uma hora depois, na sede da Proteção Civil e Bombeiros dos Açores, na ilha Terceira, o presidente do Governo açoriano Vasco Cordeiro apelava à "serenidade", dizendo que a fase de preia-mar estava ultrapassada, o que garantia "alguma tranquilidade relativamente aos riscos associados à agitação marítima".

O furacão Alex, relembre-se, começou como uma tempestade subtropical, mas devido às velocidades que o vento atingiu na quinta-feira à tarde acabou por ser classificado pelo Centro Nacional de Furações dos Estados Unidos como um furacão de classe 1 - num total de 5 classes - com velocidade de vento entre 119 e 153 quilómetros por hora. Antes dele passaram pelos Açores o furacão Gordon, em 2006, outro furacão chamado Gordon, em 2012, e o Nadine, também em 2012.

No Grupo Oriental (São Miguel e Santa Maria), a manhã decorreu, portanto, sem sobressaltos de maior, com rajadas na ordem dos 110 km/hora, contra os 130 km/hora previstos, informou ao Expresso Carlos Ramalho. As atenções mantinham-se viradas para a Terceira. Em direto para a SIC, cerca das 14h (13h locais) a jornalista Teresa Canto Noronha disse que os açorianos com quem conversou estavam a encarar a situação "com calma", "como se fosse um dia normal".

ANTÓNIO ARAÚJO/LUSA

Às 14h05 (13h05 locais) a Lusa noticiava que o furacão tinha passado ao largo da ilha Terceira, que acabou por ser afetada "pela parte menos ativa do fenómeno". Não foram registadas vítimas. O furacão acabou por ter menos impacto do que se previa, em grande parte devido à colaboração dos moradores, que adotaram as medidas recomendas pela protecção civil, explicou ao Expresso a assessora Ana Isa Cabral.

No total, verificaram-se 39 ocorrências, entre queda de árvores, inundações, derrocadas e outro tipo de danos causados pelos ventos fortes, afirmou a assessora. Apesar disso, e de estar prevista uma melhoria gradual do estado do tempo durante a tarde, o alerta lançado no arquipélago para a passagem da tempestade vai manter-se até às 18h (hora local).