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Angra do Heroísmo e o furacão: “Para nós é um dia de inverno normal”

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Com escolas e serviços públicos encerrados em Angra do Heroísmo, quase só se deslocaram à cidade os funcionários das lojas e empresas que decidiram abrir portas

Em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, uma das que deverão mais afetadas pela passagem do furacão Alex nos Açores, as ruas do centro histórico estavam praticamente desertas a poucos minutos da abertura das lojas.

Com escolas e serviços públicos encerrados, quase só se deslocavam à cidade os funcionários das lojas e empresas que decidiram abrir portas. Num dos mais antigos cafés da cidade, em pleno centro histórico, às 8h30, estavam apenas três clientes.

Segundo Lina Cunha, proprietária do espaço, num dia normal o café estaria cheio, até porque são os minutos antes da entrada ao serviço que trazem mais clientes. "É a hora de ponta, porque umas pessoas entram às 8h30, outras às 9h. O fluxo é nesta hora", salientou, prevendo um dia "péssimo" para o negócio.

Já nesta quinta-feira, ao final do dia, quando começaram a ser divulgados os avisos de mau tempo, os comerciantes notaram um esvaziamento da cidade.

Esta manhã, a chuva caía sem parar e as rajadas de vento já se faziam ouvir, mas nada que assustasse quem se viu obrigado a fazer deste um dia normal de trabalho.

Embora todos tenham admitido seguir as recomendações da Proteção Civil, os habitantes questionados pela Lusa não mostraram receio do furacão, que àquela hora se assemelhava a uma tempestade como tantas outras.

"Para nós é um dia de inverno normal", disse à Lusa Fernando Arruda, admitindo que a cidade estava "muito mais deserta". Amélia Silva, funcionária de uma loja, disse ter consciência de ter ido à cidade só "para ter a porta aberta", porque o número de clientes será irrisório.

Para João Pedro, funcionário numa agência de viagens, o dia não se prevê, no entanto, tão calmo, já que o aguardam reprogramações de viagens e avisos aos passageiros.

Com o encerramento das escolas, João Pedro viu-se obrigado a deixar os filhos com os tios, mas encarou-o com naturalidade: "Temos de nos socorrer uns dos outros".

Para Lina Cunha, este inverno, que tem sido "muito rigoroso", em comparação com anos anteriores, faz lembrar os invernos da sua infância.

"Eram muito rigorosos, mas já estávamos habituados antigamente, agora não. Também é bom para os nossos filhos saberem o que passámos", salientou.

As ilhas dos grupos central e oriental (São Miguel e Santa Maria) estão sob aviso vermelho até ao início da tarde.