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Segunda Circular. 8000 árvores vão atrair aves e pôr em “grave risco” a segurança aérea

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PATRÍCIA DE MELO MOREIRA

Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves considera que o projeto da Câmara de Lisboa está “incompleto” e que é “inadequado e insuficiente” na identificação de todos os impactos negativos na biodiversidade e na segurança dos aviões

O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves (GPIAA) alerta que o projeto da Câmara de Lisboa para a Segunda Circular "pode pôr em grave risco" a aviação que opere no aeroporto da Portela e a população da cidade.

As conclusões constam de um relatório técnico, a que a agência Lusa teve esta quinta-feira acesso, no qual o GPIAA dá "opinião técnica desfavorável" ao projeto de requalificação daquela via, por considerar que a solução apresentada "carece de suporte legal e pode pôr em grave risco a aviação que opere no aeroporto de Lisboa e todos os habitantes da cidade".

"O projeto em causa está incompleto por não contemplar qualquer alusão ao impacto ambiental que a arborização prevista [plantação de 7500 árvores na zona envolvente da Segunda Circular e mais de 500 exemplares ao longo do separador central] poderá provocar no controlo da avifauna, nas imediações do aeroporto da Portela, afetando diretamente as operações aéreas relativamente à segurança aeronáutica", sustenta o documento.

O GPIAA "coloca reticências" ao projeto por ser "inadequado e insuficiente" na identificação de todos os impactos negativos na biodiversidade daquela zona e na garantia da segurança dos aviões que operam no aeroporto, devido à possibilidade de as aves colidirem com as aeronaves.

O relatório técnico foi enviado esta semana pelo GPIAA para o gabinete do secretário de Estado das Infraestruturas, Guilherme de Oliveira Martins, para o presidente do conselho de administração da Autoridade Nacional de Aviação Civil, regulador do setor aeronáutico, e para o presidente da Câmara de Lisboa, o socialista Fernando Medina.

Na informação técnica, assinado pelo diretor do GPIAA Álvaro Neves, são ainda apontadas críticas à falta de visão estratégica da Câmara de Lisboa e do seu presidente, que, segundo o relatório, demonstraram "um desconhecimento incompreensível numa área de especial interesse para a cidade: um aeroporto seguro e reconhecido como tal".

O projeto foi colocado em consulta pública (que termina a 29 de janeiro) sem ouvir as autoridades aeronáuticas sobre os impactos do previsível aumento de aves perto do aeroporto.

"É incompreensível que a Câmara não tenha antecipadamente ouvido as entidades do sistema aeronáutico em que um aspeto tão essencial e primordial como o conhecimento dos movimentos das aves nas imediações do aeroporto, pela concentração de uma substancial mancha verde natural. É relegado e menosprezado para um patamar inferior e apresentado como medida de mitigação, quiçá a 'analisar na fase subsequente de projeto", critica o GPIAA.

“Solução inadequada e potencialmente perigosa”

Numa resposta escrita enviada à Lusa, a autarquia refere que o projeto proposto pela maioria socialista "não vai afetar o tráfego aéreo".

Contudo, o organismo público responsável pela prevenção e investigação dos acidentes aéreos em Portugal, tutelado pelo Ministério do Planeamento e das Infraestruturas, insiste que é preocupante que a Câmara tenha decidido dar seguimento a uma iniciativa desta envergadura sem a "devida consulta da indústria" aeronáutica.

Em causa, sublinha, está "uma solução técnica inadequada e potencialmente perigosa para a aviação civil".

A proposta camarária visa diminuir o tráfego de atravessamento na Segunda Circular através da reformulação de alguns acessos e dos nós de acesso ao IC19 (itinerário complementar) e à A1 (autoestrada), encaminhando o trânsito para a CRIL (Circular Regional Interior de Lisboa).

Prevê-se também a redução da largura das vias, a montagem de barreiras acústicas, a reabilitação da drenagem e do piso, a renovação da iluminação pública e da sinalética e a diminuição da velocidade, de 80 para 60 km/h.