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As explicações do ministro da Educação: o anterior modelo “estava errado e era nocivo”

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MUDANÇA Tiago Brandão Rodrigues fotografado durante a última campanha eleitoral

LUCÍLIA MONTEIRO

Depois de muitas críticas ao timing da reforma do modelo de avaliação dos alunos no ensino básico, apresentado na semana passada, Tiago Brandão Rodrigues explicou esta terça-feira a “urgência de acabar com os exames do 6º ano e de regressar às provas de aferição já este ano letivo

Um simples comunicado enviado às redações na passada sexta-feira anunciou o novo modelo de avaliação dos alunos do ensino básico e basicamente punha fim ao sistema posto em prática pelo ex-ministro Nuno Crato. Quatro dias depois, o atual ministro da Educação marcou uma conferência de imprensa para explicar o porquê das mudanças e, sobretudo, o timing: com o 2º período já iniciado, os alunos ficaram saber que, afinal, também não vão realizar exames nacionais no 6º ano em maio (os do 4º ano acabaram em novembro por votação no Parlamento), os do 9º já não vão fazer o teste de Cambridge (que deveria contar para a nota final a Inglês) e os do 2º, 5º e 8º anos vão fazer provas de aferição a Português e Matemática em junho.

"O modelo anterior estava errado e era nocivo", argumentou Tiago Brandão Rodrigues, invocando a existência de "estudos nacionais e internacionais" que apontam para prejuízos causados pelos exames nos anos mais precoces do ensino e supostas vantagens das provas de aferição. "Tínhamos a responsabilidade de intervir rapidamente na reparação de danos que estavam a ser causados no sistema."

Em causa não está um "ímpeto reformista", mas a "vontade forte de corrigir os erros de forma urgente", reforçou o ministro, garantindo que as decisões agora anunciadas em nada prejudicam o decorrer normal do ano letivo.

Isto porque, frisou o titular da pasta, "ninguém tem se se preparar para as provas de aferição". "As escolas só têm de continuar o seu trabalho e concentrar-se na melhoria das aprendizagens. E os alunos não têm de treinar para as provas de aferição".

Treinar para os exames é pernicioso

Para o ministro, o que tinha de acabar era o "estreitamento curricular" a que se estava a assistir no sistema, com as escolas a porem o enfoque do ensino nas disciplinas de Português e de Matemática e os alunos a "treinarem" para os exames. "Isso é pernicioso e até nocivo", declarou.

Nas explicações aos jornalistas, Tiago Brandão Rodrigues rejeitou igualmente estar a contribuir para mais uma das muitas alterações que tem havido no modelo de avaliação dos alunos do ensino básico. E explicou: "Nos últimos anos houve alterações de normativos. Mas só nos últimos quatro anos é que houve uma rutura no modelo (com a introdução de exames no 4º e 6º anos). O que fizemos foi repor uma linha de continuidade que vinha desde 2000", explicou.

Tiago Brandão Rodrigues referia-se ao regresso ao modelo das provas de aferição, que não contam para a nota dos alunos. Mas também aqui há uma novidade. Estes testes sempre foram feitos nos anos terminais de ciclo e passam agora a ser realizados no 2º, 5º e 8º anos, a meio do 1º, 2º e 3º ciclos, de forma a ser possível uma "intervenção atempada" sobre as dificuldades que os alunos apresentem.

As provas de aferição a Português e Matemática serão realizadas já este ano letivo, em junho, e no caso do 1º ciclo vão incluir temas da área de Estudo do Meio. No 6º e 8º anos, mas apenas nos próximos anos letivos, haverá rotatitividade entre as disciplinas testadas.