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O futuro imediato pertence aos makers

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pIERRE ANDRIEU/GETTY

Em 2020, Portugal vai precisar de mais de 100 mil profissionais de Tecnologia. Na União Europeia, a escassez de especialistas nessas áreas vai ascender aos 900 mil. Estas são as previsões das consultoras e de organismos oficiais em Portugal e na União Europeia. Em minha opinião, a falta de recursos humanos especializados em tecnologias será ainda maior.

A implementação de soluções tecnológicas baseadas em Cloud Computing (informações guardadas nas redes e acessíveis a partir dos mais variados dispositivos), em Big Data (análise em tempo real de uma grande quantidade de dados) e, por exemplo, em Internet das Coisas (colocação de sensores com conectividade que recolhem dados das mais variadas atividades, recolha de lixo, por exemplo); está a acelerar a um ritmo acima do esperado pelo mercado.

Sim, vamos precisar de mais gente que saiba escrever linhas de código. E é mesmo de programação que estamos a falar. Ou seja, não estou a falar das pessoas que sabem montar computadores. Essa capacidade, que na década de 90 do século passado foi destino de tanta gente, está em vias de extinção. São as máquinas que montam as máquinas.

Quanto às máquinas mais pequenas, há na China e na Índia milhões de mãos disponíveis para soldar e encaixar outros milhões de “peças de Lego” que saem das linhas de produção em caixas bem desenhadas e destinadas a outras mãos, sem marcas e sem atrofias musculares, que envergam, com orgulho, os telefones e os tablets – as suas novas ligações ao mundo que os, nos, rodeia.

Conhecer o código (os códigos) em que as máquinas falam vai ser tão essencial como saber ler e escrever. Não para mim, mas para os mais novos. Os que estão hoje no Ensino Básico. Só assim, vão poder encarar o mercado de trabalho com algum otimismo. Não, os advogados e os juízes não vão desaparecer, os arqueólogos também não e vamos sempre precisar de médicos, de militares, polícias, historiadores e filósofos. Mas se, hoje, o mercado já não absorve a oferta para quase todas essas áreas… imagine-se o que vai acontecer no futuro mais próximo.

E os mais jovens estão a perceber o desafio. Por isso, existe, um pouco por todo o mundo, uma comunidade emergente de criadores; “makers” como são designados na cultura geek deste século. Estes criadores montam impressoras 3D e fazem os suportes de smartphone que usam nas bicicletas onde se deslocam para ir para a escola secundária, para a universidade e para o trabalho. Criam apps, desenham soluções de software… criam empresas. É por isso que vemos um número crescente de startups em Portugal. Aliás, é também por isso que Lisboa ganhou a Web Summit.

Estamos a transformar-nos num polo de atração para a comunidade Maker. Porque localmente temos muitos jovens que deixaram de querer trabalhar para outros, para poder trabalhar para si próprios. Porque querem fazer a diferença, porque têm ideias mas, essencialmente, porque têm os conhecimentos e capacidades para desenvolver e concretizar essas ideias. Transformá-las em negócio. E essas capacidades passam, invariavelmente, por uma qualquer componente tecnológica.

Mark Zuckerberg, ele próprio um exemplo acabado do que é um Maker, respondeu assim, no Facebook, a uma avó que incentiva as netas a sair com o Nerd da escola porque «ele pode ser o próximo Mark Zuckerberg»: «Even better would be to encourage them to *be* the nerd in their school so they can be the next successful inventor!».

Ou seja, o que a avó deve fazer é encorajar as netas a serem makers. A criarem o seu próprio futuro em vez de esperarem ter lugar no futuro desenhado por outros.

Parece-me ser um excelente conselho para deixar no primeiro artigo de um novo ano.

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A Impressão 3D é uma das ferramentas dos makers. Este mercado vai valer, em 2020, 8,6 mil milhões de dólares. Os números são da consultora Grand View Research.com e indicam um crescimento galopante quando olhamos para os 2,2 mil milhões de dólares que este mercado valia em 2012. Além dos consumidores, a Impressão 3D está a ser usada em indústrias como a Automóvel, a Aeroespacial, a Médica e na Defesa. É nos Estados Unidos que a tecnologia já está mais massificada, mas a Europa é, segundo a mesma fonte, a que tem maior potencial de crescimento nos próximos quatro anos. Em Portugal, a startup BeeVeryCreative, saída da Universidade de Aveiro e integrada no espírito Maker, foi a primeira a desenvolver uma impressora 3D que é totalmente feita no nosso país.