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Libertados dois acusados da Operação Fénix, incluindo segurança que protegeu Pinto da Costa

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João Pereira e Francisco Maximiano, que chegou a fazer proteção a Pinto da Costa, estavam em prisão preventiva desde julho. Foram para casa com pulseira eletrónica

João Pereira e Francisco Maximiano, os dois seguranças que trabalhavam para a SPDE em Lisboa, exerciam a sua atividade em mais de vinte estabelecimentos de diversão noturna da capital. Desde janeiro do ano passado que eram monitorizados pela PSP e pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP). Tinham sido detidos nas buscas de julho de 2015 e ficaram em prisão preventiva, juntamente com outros onze arguidos, entre eles o dono da empresa de segurança privada SPDE, Eduardo Silva, que está no epicentro da investigação.

O juiz Ivo Rosa decidiu alterar a medida de coação que recaía sobre eles, determinando que fossem libertados. Vão para casa nas próximas horas com pulseira eletrónica. O Expresso sabe que para o juiz de instrução do Tribunal Central de Instrução Criminal diminuíram os perigos de continuação da atividade criminosa e de perturbação de prova.

"É uma questão de justiça", declarou ao Expresso Carlos Melo Alves, o advogado de João Pereira e Francisco Maximiano.

O despacho de acusação revela alguns episódios que envolviam os dois seguranças. No início de 2014, terão, segundo os procuradores, obrigado um empresário de uma discoteca de música africana a pagar pelos serviços de segurança, ameaçando-o caso não o fizesse. Mas este acabou por fazer queixa à PSP. Meses depois, em julho, terão recebido uma shotgun de um outro arguido no parque de estacionamento de uma discoteca nas docas de Alcântara. Há ainda indícios de estarem implicados em cenas de violência em bares e discotecas, tendo sido detetadas conversas telefónicas onde pedem para serem acionados "piquetes de segurança", ou seja, um grupo adicional de seguranças.

Iam, segundo o Ministério Público, com regularidade à sede da SPDE em Leça da Palmeira, recebendo orientações do dono da empresa e principal arguido do processo, Eduardo Silva, e prestando-lhe contas da atividade desenvolvida em Lisboa. O objetivo dessas reuniões era instruir sobre a melhor maneira de convencer os clientes a efetuarem os pagamentos pelos referidos serviços.

Francisco Maximiano chegou também a fazer proteção a Pinto da Costa, o presidente do FC Porto, quando este viajou para Lisboa com o objetivo de acompanhar a equipa num jogo contra o Sporting, em setembro do ano passado.

Pinto da Costa e Antero Henrique, presidente e vice-presidente do FC Porto, fazem parte do rol de acusados, pela suspeita de terem contratado os serviços da SPDE sabendo que não o podiam fazer.