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O orgulho de fazer 43: a nossa primeira página

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“Árbitros discutem”, “Dúvidas quanto à legalidade do imposto sobre automóveis”, o muito falado caso do leão que andaria à solta em Rio Maior, a medalha de Nixon que caiu e uma manchete histórica - foi assim que pudemos chegar aqui, aos nossos 43 anos, porque foi assim que nascemos

“A primeira página de um jornal não é apenas a montra que visa atrair os leitores”, escrevia o fundador do Expresso, Francisco Pinto Balsemão, no livro “Primeiras Páginas”, uma edição lançada quando o semanário comemorou 25 anos. “É também a imagem de marca” que “define e distingue a identidade de cada publicação”, acrescentava.

Nesta quarta-feira em que o Expresso sopra 43 velas, recordar a primeira página da sua edição de estreia - colocada nas bancas no dia 6 de janeiro de 1973 - é recordar isso mesmo. “63 por cento dos portugueses nunca votaram”, lia-se na manchete: o título apoiava-se numa sondagem e era o passo inicial para cumprir um dos propósitos assumidamente na origem do projeto jornalístico - dar a conhecer a realidade, ainda que o contexto político da época tenha obrigado durante muito tempo ao uso de meias palavras e ao domínio das entrelinhas.

Em relação à escolha dessa primeira manchete, Francisco Pinto Balsemão, presidente do grupo Impresa e diretor do Expresso entre 1973 e 1980, teve já a oportunidade de recordar publicamente as dúvidas que o assaltaram. “Achei que era impossível”, recordou, ao ser entrevistado para o documentário sobre os 40 anos do jornal: “Tive dúvidas sobre se o número estaria minimamente certo e se fazia sentido. E fazia”.

Ao lado desta notícia, uma fotografia do então presidente norte-americano ilustrava o artigo “Nixon impõe ao Congresso silêncio sobre o Vietnam”. Mas não uma fotografia qualquer. A imagem mostrava o momento em que Richard Nixon deixara cair a medalha com que iria condecorar o general Alexander Haig, imagem escolhida, segundo Francisco Pinto Balsemão, por não se ter conseguido “nenhuma foto nacional com impacto e atualidade suficientes” para o primeiro número do Expresso.

Desenhado à imagem de semanários britânicos como o “The Sunday Times” ou o “The Observer”, daí em diante as sucessivas edições do Expresso foram provando a inovação no grafismo, a opção pelas fotografias grandes e o arrojo nos conteúdos. Francisco Pinto Balsemão recorda a atenção às notícias políticas, mas também a coluna com notícias breves, chamada “24 horas“, - “uma novidade e que continua a ter muita leitura” - e, no plano da cultura, a inclusão todas as semanas, durante mais de um ano, de contos inéditos de autores portugueses. No número inicial, a estreia ficou por conta de José Rodrigues Miguéis, com “Mudança de posto”.

O “número 1” do semanário chegou aos leitores por cinco escudos e deu também destaque a temas como “Árbitros discutem”, “Dúvidas quanto à legalidade do imposto sobre automóveis” e o muito falado caso “O leão anda à solta?”, sobre o mítico avistamento de um leão em Rio Maior.

“Foi emocionante fazê-lo”, como recorda o presidente do grupo Impresa, com direito a “um brinde no final” e a chegar a casa “satisfeito”, não apenas com o cheiro a papel e a tinta ou pela sensação de dever cumprido, mas pelo verdadeiro “prazer” envolvido na terefa: “O jornalismo ainda me dá muito gozo...”, garante Pinto Balsemão.

Feito com uma redação inicial de dez jornalistas, “15 pessoas no total, incluindo a telefonista”, e a partir de “meio andar” do número 37 da rua Duque de Palmela, em Lisboa, o Expresso mudou entretanto. De morada, de formato, propondo renovados grafismos e alargando-se a outros suportes e novas periodicidades. São, afinal, 43 anos. Parabéns.