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“Edu” fez segurança a toda a família de Pinto da Costa

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Lucília Monteiro

O império da SPDE era esmagador no mundo da noite. A segurança privada de mais de 300 discotecas de todo o país era feita por esta empresa acusada pelo Ministério Público

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Eduardo Silva, o principal arguido na Operação Fénix e dono da empresa de segurança privada SPDE, designava o vice do FC Porto, Antero Henrique, de "O Homem". Já Pinto da Costa era chamado de "Presidente". Os três encontram-se entre os 57 acusados na investigação aos grupos de segurança ilegal realizada no último ano pelo DCIAP e PSP.

Desde 2014 que Eduardo Silva, mais conhecido por "Edu" ou "Maestro", fazia parte do núcleo de confiança do presidente do FC Porto, segundo o Ministério Público. Acompanhava Pinto da Costa e a mulher durante as deslocações da equipa fora da Invicta, como aconteceu a 26 de setembro de 2014, num jogo contra o Sporting.

Os serviços de proteção pessoal estendiam-se a toda a família do presidente portista. Chegou a fazer segurança ao irmão e irmã de Pinto da Costa quando uma casa da família foi assaltada. A 18 de novembro desse ano, Antero Henrique ligou a um membro da SPDE para acompanharem a irmã do "Sr. Presidente" à referida moradia na Cedofeita. As ordens dentro do grupo era de acompanharem a familiar com "roupa normal" e não levarem "sapatinhas e fato de treino".

Depois do serviço, a irmã de Pinto da Costa terá dito que com aqueles seguranças podia ficar na casa "noite e dia", que não tinha medo de ninguém.

Segundo o despacho de acusação, Eduardo Silva era também requisitado para buscar Fernanda Pinto da Costa a casa ou para realizar operações mais complicadas como a de proteger o número 1 do FC Porto de possíveis desacatos dos adeptos depois de exibições medíocres da equipa em casa, como aconteceu a 18 de maio do ano passado.

O FCP dava estatuto ao líder da SPDE, empresa que no ano passado fazia a segurança de mais de 300 estabelecimentos de diversão noturna em todo o país. Para os procuradores do DCIAP, o objetivo era o de exercer a hegemonia total no mundo da noite. Quando foi contratado para fazer de guarda costas ao cantor angolano Anselmo Ralph, em maio de 2015, perguntou ao produtor do artista (que queria perceber o seu currículo) se ser segurança de Pinto da Costa não chegava para ele.

"Mato a todos de porrada", chegou a ameaçar quando uma recém inaugurada discoteca em Matosinhos ousou não contratar os serviços da SPDE. E até alguns agentes da PSP eram alvo de ameaças quando tentavam fiscalizar a empresa: "Vou ter mesmo de f... os corpos a um polícia... Isto vai rasgar para qualquer lado", exclamou a um chefe da PSP do Porto.