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Vaticano considera desonesta caricatura de deus assassino na capa do “Charlie Hebdo”

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Edição que sai para as bancas esta quarta-feira assinala o massacre ocorrido em janeiro de 2015 na redação do “Charlie Hebdo”, num atentado que abalou o mundo. “O assassino ainda está à solta”, lê-se na capa, acompanhada da imagem de um deus armado e ensanguentado

O diário do Vaticano lamentou esta terça-feira que o “Charlie Hebdo” omita, na edição que assinala o primeiro aniversário do atentado terrorista contra o semanário satírico francês, as condenações à violência em nome da religião.

No primeiro aniversário do ataque terrorista contra o “Charlie Hebdo”, o semanário vai publicar esta quarta-feira um número especial que apresenta na primeira página um deus barbudo, armado com uma kalachnikov e com o hábito ensanguentado. Para este número, o jornal deverá ter uma tiragem de cerca de um milhão de exemplares.

"O episódio não é uma novidade: atrás da bandeira enganadora de uma laicidade sem compromissos, o semanário esquece uma vez mais aquilo que tantos dirigentes religiosos de todas as confissões não deixam de repetir para rejeitar a violência em nome da religião: usar deus para justificar o ódio é uma verdadeira blasfémia, como disse em várias ocasiões o Papa Francisco", afirma o “Osservatore Romano”.

"Na escolha do ‘Charlie Hebdo’ é claro o triste paradoxo de um mundo cada vez mais atento ao politicamente correto, ao ponto de roçar o ridículo, mas que não quer nem reconhecer, nem respeitar a fé em Deus de todo o crente, qualquer que seja a sua religião", acrescenta o diário católico.

O jornal do Vaticano cita ainda o presidente do conselho francês do culto muçulmano, Anouar Kbibech, que considerou que esta caricatura "fere todos os crentes de várias religiões" e não ajuda à coesão da sociedade francesa num momento difícil.

No ano passado, a bordo do avião na viagem de regresso das Filipinas, o Papa afirmou que a liberdade religiosa, como a liberdade de expressão, eram dois valores inalienáveis.
Francisco advertiu que a liberdade de expressão não deve ser usada para a ofensa e o insulto.