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Vila Real. Deslizamento de terras corta estrada e desaloja um homem

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A forte precipitação provocou um forte caudal de água que arrastou terras e socalcos, invadindo um armazém agrícola e a EN2. Foi ainda afetada uma habitação localizada ao lado do armazém, uma situação que desalojou um homem de 66 anos

A chuva forte provocou esta segunda-feira um deslizamento de terras em Vila Real que afetou uma habitação e desalojou um homem de 66 anos, destruiu um armazém agrícola e cortou o trânsito na Estrada Nacional 2 (EN2), segundo a proteção civil.

O comandante distrital de operações de socorro de Vila Real, Álvaro Ribeiro, disse à agência Lusa que a forte precipitação provocou um forte caudal de água que arrastou terras e socalcos, invadindo um armazém agrícola e a EN2, entre Parada de Cunhos e a Cumieira.

Foi ainda afetada uma habitação localizada ao lado do armazém, uma situação que desalojou um homem de 66 anos.

O filho da vítima, Alcídio Pereira, disse à agência Lusa que o seu pai estava ainda deitado, cerca das 8h30, e apercebeu-se da situação quando começou a ouvir o barulho da "força das águas" e a "chuva dentro de casa".

"Isto decorre há três anos. Já não é a primeira vez que estas situações acontecem, mas hoje, especialmente, é uma situação muito mais grave", salientou. Alcídio Pereira salientou que o seu pai vai ficar na sua casa, em Vila Real.

Os moradores deste lugar lançam as culpas da situação às obras de construção da Autoestrada do Marão, que decorrem em cima da encosta.

"Isto tem a ver com as obras da autoestrada que passa lá em cima. As obras estão a decorrer, disseram-nos que o escoamento das águas estava concluído mas chega-se à conclusão de que não está concluído", frisou.

Soledade Almeida mora um pouco mais à frente e explicou que se apercebeu da situação quando a "água começou a correr pela estrada fora cheia de lama" e viu "os carros a pararem".

"Inclusive eu estava com medo porque já há dois anos me aconteceu a mesma situação, só que não me deu prejuízo na casa mas sim nos terrenos. Foi no dia da consoada em 2013", salientou. Esta moradora disse que já foi contactado um advogado que interpôs uma providência cautelar contra os responsáveis pela obra.

"Eles disseram que iam ver mas a água continua a cair pela encosta e a por a estrada em risco. Estamos a levar com a água que vem lá de cima, quase da boca do túnel, onde furaram o túnel do Marão, e a água vem parar toda aqui", sublinhou.

As obras na Autoestrada do Marão são da responsabilidade da Infraestruturas de Portugal (IP). A agência Lusa aguarda uma reação por parte da empresa. Álvaro Ribeiro disse que "a construtora está a fazer esforços no sentido de desviar essas águas".

Acrescentou ainda que, assim que o tempo acalmar, será feita uma avaliação das condições de habitabilidade da moradia, mas numa "primeira avaliação tudo indica que não possui, neste momento, condições de habitabilidade até porque se mantém a forte precipitação nesta região".

No local está a proteção civil municipal, os bombeiros, elementos da Junta de Freguesia de Parada de Cunhos e a GNR.