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Celebrar, celebrar sempre!

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Jill Chen

É uma tradição e há que mantê-la: saltem as rolhas!

Não há muita volta a dar ao assunto: a passagem de ano é o momento onde se consome a maior parte da produção mundial de espumantes, tenham eles a origem que tiverem. A ideia da comemoração associada com a “bebida das bolhinhas” é uma grande invenção francesa, que assim conseguiu impor o champanhe, de que justamente se orgulha, como elemento fundamental da comemoração. É verdade, todos nos recordamos da frase de Churchill que dizia que também precisava dela nos maus momentos e não só nos bons. Pode ser. Ele era grande apreciador, e de uma marca em especial, a Pol Roger. Por causa dessa fidelidade, a empresa criou a Cuvée Sir Winston Churchill em sua homenagem e que ainda funciona como o topo de gama daquela casa familiar. É, seguramente, um dos meus champanhes preferidos.

A produção mundial é brutal, com a Espanha e a França a apresentarem números equivalentes, na casa dos 300 milhões de garrafas/ano. Por cá, ainda que isso possa parecer estranho, não temos números fiáveis porque a produção que não tem Denominação de Origem e que sai com o selo do IVV não é fácil de contabilizar, já que também não passa pelo crivo de uma Câmara de Provadores nem leva selo de origem. Na Bairrada, por exemplo, temos cerca de 1,5 milhão de garrafas certificadas para uma produção total de 6,5 milhões. Não andaremos, no entanto, muito longe da verdade se dissermos que, um pouco acima ou um pouco abaixo, a produção nacional rondará os 11 milhões de garrafas. Ainda que a Bairrada concentre uma parte de leão da produção nacional, a zona de Távora-Varosa vem a seguir, contando-se aí com os melhores espumantes nacionais que têm origem nas Caves da Murganheira.

Além destes dois centros de produção, um pouco por todo o país se produz espumante, em algumas zonas já com grande sucesso (caso do Douro) e noutras com grande potencial, ainda por confirmar cabalmente (caso dos Vinhos Verdes). Do Minho ao Algarve, por todo o lado há produtores interessados nesta bebida de festa, exigente quanto à produção (não faz quem quer) mas que pode resultar num vinho que se vende a baixo preço. Uma visita a uma grande superfície dá para perceber que há muita marca abaixo dos €5 a garrafa. O espumante é assim uma bebida que tem tudo para se tornar popular e que não pode ser (ou não devia...) apenas consumida nestes momentos clássicos, como a passagem de ano. Para os mais baratos, e que pela sua simplicidade não precisam de grande reflexão, a sangria de espumante é uma solução interessante, ainda que leve a estados de alcoolemia bem mais rapidamente do que se imagina.

Os melhores merecem ser consumidos com bons copos (flutes), com um balde de gelo por perto para manter e bebida fria, e da variedade Bruto (até 12 gr/açúcar por litro), uma vez que os próprios produtores guardam para o Bruto as melhores cuvées. Um 2016 com saúde, bons vinhos e boa disposição são os meus desejos.

Murganheira Millésime branco 2008

Região: Távora-Varosa
Produtor: Caves da Murganheira
Castas: Pinot Noir e Chardonnay
Enologia: Orlando Lourenço
Preço: €19,50
Juntam-se aqui as clássicas variedades usadas em Champagne
Dica: magnífico como aperitivo, perfeito com peixes fumados ou sushi

Bauget-Jouette Blanc de Blancs branco 2009

Região: Champagne
Produtor: Bauget-Jouette
Casta: Chardonnay
Preço: €39
A indicação Blanc de Blancs significa que apenas é feito de Chardonnay
Dica: no portefólio deste produtor, este destaca-se pela excelente relação qualidade/preço

Louis Roederer Brut Premier branco s/ data

Região: Champagne
Produtor: Louis Roederer
Castas: Pinot Noir (40%), Chardonnay (40%) e Pinot Meunier
Preço: €49
Mantém o mesmo perfil ano após ano (por isso não tem data). Clássico aroma de tosta e brioche