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Cinco maiores hospitais da Grande Lisboa preparam novo modelo de assistência a doentes urgentes

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paulo vaz henriques

Decisão surge depois de cinco mortes por falta de equipa de neurocirurgia vascular ao fim de semana no Hospital de São José. Serviço deverá estar a funcionar a partir de fevereiro

Os casos urgentes registados na Grande Lisboa vão ter um novo modelo assistencial para garantir que todos os doentes têm o tratamento necessário e atempado. A decisão resulta da denúncia recente de mortes por falta de equipa de neurocirurgia vascular ao fim de semana no Hospital de São José e foi tomada esta segunda-feira numa reunião entre a tutela, incluindo a Administração Regional de Saúde de Lisboa, e os responsáveis dos cinco maiores hospitais da região: Centro Hospitalar de Lisboa Norte (que integra o Santa Maria), Centro Hospitalar de Lisboa Central (onde está o São José), Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (com Egas Moniz e São Francisco Xavier, entre outros), Hospital Fernando da Fonseca (vulgo Amadora-Sintra) e Hospital Garcia de Orta, em Almada.

O ministro e os secretários de Estado da Saúde e o Coordenador Nacional da Reforma do Serviço Nacional de Saúde (SNS) para a área hospitalar pediram aos administradores hospitalares que se organizem para "lançar as medidas conducentes à implementação do novo modelo organizacional de Urgência Metropolitana de Lisboa". O serviço é justificado com "a necessidade de encontrar um novo modelo de organização da atividade assistencial no âmbito do SNS que permita uma assistência eficaz, atempada e de elevada qualidade", lê-se no comunicado enviado às redações.

A remodelada Urgência Metropolitana de Lisboa deverá começar a funcionar a partir do próximo dia 1 de fevereiro e "os trabalhos iniciar-se-ão de imediato, dando prioridade às especialidades em que se verificam maiores dificuldades". A neurocirurgia vascular, que faltou a David Duarte, e a neurorradiologia de intervenção - por exemplo, para tratar algumas formas graves de AVC - , serão duas das valências tidas em conta.

"Sendo estas situações e patologias relativamente pouco frequentes, condicionam uma procura por cuidados de saúde relativamente baixa. Simultaneamente, devido à especificidade das mesmas, o número de profissionais de saúde com competência para a sua abordagem é relativamente reduzido."

A equipa ministerial explica que "a conjunção destes fatores (gravidade e carácter urgente das patologias, dispersão geográfica da procura e relativa escassez de profissionais habilitados), à qual acresce a existência de abordagens terapêuticas eficazes, obriga a que o SNS se organize de modo a garantir uma resposta pronta e coordenada". Isto é, "exige que se proceda a uma profunda reorganização dos cuidados de saúde hospitalares nas várias regiões de saúde do país, apostando nos princípios da cooperação interinstitucional, da organização em rede e da partilha dos recursos disponíveis no SNS".

  • Carta da namorada do jovem que morreu por falta de médico ao fim de semana

    David Duarte, 29 anos, perdeu a vida na madrugada de 13 para 14 de dezembro (de domingo para segunda-feira) no Hospital de São José, em Lisboa, porque a equipa médica que o poderia salvar recusa trabalhar ao fim de semana pelo valor que o Estado paga. A namorada de David Duarte, Elodie Almeida, de 25 anos, estava com ele quando surgiram os primeiros sinais. Colocou em palavras escritas aquilo que não conseguiu contar ao Expresso de viva voz. É um testemunho raro