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Ministério da Saúde está a averiguar se houve mais mortes no São José

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Paulo Vaz Henriques

O Expresso noticiou esta quinta-feira que antes da morte de David, morreram outras quatro pessoas com rutura de aneurisma, também durante o fim de semana, por falta de operação. Tinham grande probabilidade de sobrevivência, mas não aguentaram a espera.

O secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, disse esta quinta-feira que a tutela está a “averiguar e a confirmar” se ocorreram mais quatro mortes no Hospital São José, em Lisboa, por falta de assistência.

“Estamos a averiguar e a tentar confirmar essas ocorrências. São situações manifestamente inaceitáveis que o Ministério da Saúde e os seus responsáveis, nomeadamente o ministro da Saúde, não tinham conhecimento”, afirmou o governante, à margem de uma visita ao Hospital de Chaves, no distrito de Vila Real.

A morte de David Duarte, na madrugada de domingo para segunda-feira, dia 14, por falta de equipa de neurocirurgia vascular para o operar durante o fim de semana, continua a gerar críticas e troca de acusações entre especialistas. O Expresso noticiou esta quinta-feira que antes da morte de David, morreram outras quatro pessoas com rutura de aneurisma, também durante o fim de semana, por falta de operação. Tinham grande probabilidade de sobrevivência, mas não aguentaram a espera.

A prevenção aos fins de semana da Neurocirurgia-Vascular está suspensa desde abril de 2014 e da Neuroradiologia de Intervenção desde 2013, na sequência de cortes nas remunerações dos profissionais de saúde.

“Não é aceitável que hospitais centrais, como é o de São José, não deem respostas em áreas onde há, do ponto de vista técnico e de recursos humanos, competências próprias para o efeito”, sustentou Manuel Delgado, frisando que o Governo PS “tudo fará” para que estas situações sejam “rapidamente ultrapassadas” e não se voltem a repetir.

Segundo o governante, todo o país têm condições para responder perante situações hemorrágicas, como aquela que sofreu o jovem que acabou por falecer, apesar de ser uma especialidade muito específica onde os recursos “não são muito grandes” e os locais de prestação “não são muito variados”.

“Os únicos polos que estavam, segundo informações atuais, sem resposta eram o Centro Hospitalar de Lisboa Central e o Centro Hospitalar Lisboa Norte", realçou.

Na sequência da morte do jovem, os presidentes da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT), do Centro Hospitalar de Lisboa Central e do Centro Hospitalar Lisboa Norte demitiram-se.

O Ministério da Saúde pediu à administração do Centro Hospitalar de Lisboa Central e à Inspeção-Geral das Atividades em Saúde para apurarem eventuais responsabilidades do Hospital de São José na morte de o doente.