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Ordem dos Médicos: “Há muito mais casos” como o de David Duarte

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José Carlos Carvalho

Bastonário da Ordem dos Médicos diz que a ausência da equipa que podia ter operado o jovem se deveu aos cortes orçamentais no sector da saíde: “Quando os médicos eram chamados, tinham de pagar para trabalhar e salvar a vida dos doentes”

“Provavelmente, há muito mais casos” semelhantes ao do jovem de 29 anos que morreu porque a equipa médica que o poderia salvar recusa trabalhar ao fim de semana pelo valor que o Estado paga. São palavras do Bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva, falando esta quarta-feira no Fórum TSF.

De acordo com o bastonário, “a ausência da equipa” que poderia ter operado David Duarte, evitando a sua morte, deveu-se “aos cortes e não à falta de médicos”, uma vez que esta equipa se recusa a trabalhar ou estar de prevenção ao fim de semana em troca da remuneração atribuída pelo Estado.

“Durante dez anos, os médicos disponibilizaram-se a estar de prevenção gratuitamente”, garante José Manuel Silva. Para o Bastonário da Ordem dos Médicos, a equipa passou a recusar trabalhar ao fim de semana por estar a viver uma situação “insustentável”: “Quando os médicos eram chamados, tinham de pagar para trabalhar e salvar a vida dos doentes.”.

Isto porque, de acordo com o Bastonário, o Estado não se encarregava das despesas relativas à deslocação destes profissionais de saúde: “Os médicos pagavam do seu bolso o transporte [para ir trabalhar ao fim de semana]”.

A prevenção aos fins de semana da neurocirurgia vascular está suspensa desde abril de 2014 e a da Neurorradiologia de Intervenção desde 2013, de acordo com informações reveladas pelo Centro Hospitalar de Lisboa Central, que lamentou ao jornal “Público” a morte de David Duarte.

  • Carta da namorada do jovem que morreu por falta de médico ao fim de semana

    David Duarte, 29 anos, perdeu a vida na madrugada de 13 para 14 de dezembro (de domingo para segunda-feira) no Hospital de São José, em Lisboa, porque a equipa médica que o poderia salvar recusa trabalhar ao fim de semana pelo valor que o Estado paga. A namorada de David Duarte, Elodie Almeida, de 25 anos, estava com ele quando surgiram os primeiros sinais. Colocou em palavras escritas aquilo que não conseguiu contar ao Expresso de viva voz. É um testemunho raro