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Carlos Cruz saiu para passar Natal em casa e diz-se “inocente”

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José Oliveira

O apresentador deixou o Estabelecimento Prisional da Carregueira em regime de licença precária, deferido pelo juiz de Execução de Penas, sem contestação do Ministério Público

O antigo apresentador de televisão Carlos Cruz saiu, esta quarta-feira à tarde, do Estabelecimento Prisional da Carregueira, Sintra, para passar o Natal em casa, em regime de licença precária, reiterando que está “inocente”, apesar da condenação no processo Casa Pia.

“Eu não me continuo a declarar, eu estou inocente, é um facto, é um facto”, afirmou Carlos Cruz, aos jornalistas que o esperavam à porta da Carregueira, e o questionaram sobre se mantinha a sua declaração de inocência no processo Casa Pia.

O antigo apresentador de televisão afirmou não viver de crenças “quando se fala de justiça” e que vive apenas “de factos”.

“Não vivo de crenças, mas vivo muito de esperança e acredito fundamentalmente que a esperança mexe às vezes com o remorso, e portanto quem tiver remorsos talvez me dê a esperança”, afirmou Carlos Cruz.

Logo à saída, quando foi rodeado pelos jornalistas, o antigo apresentador desejou “um bom Natal a todos os portugueses, sem qualquer exceção”, nesta “época de paz e amor”, e ainda “um ano que represente para Portugal finalmente o início de uma recuperação, com menos desemprego, melhor saúde, melhor justiça, melhores ordenados”.

Carlos Cruz cumpre pena no Estabelecimento Prisional da Carregueira, concelho de Sintra, e vai passar o Natal a casa, em regime de licença precária, deferido pelo juiz de Execução de Penas, sem contestação do Ministério Público.

O ex-apresentador de televisão aguarda resposta, esperada para janeiro de 2016, a um pedido de liberdade condicional, quando já completou dois terços da pena de prisão a que foi condenado.

Carlos Cruz já viu recusado este ano um primeiro pedido de liberdade condicional, pelo Tribunal de Execução de Penas, considerando que o detido não interiorizou a culpa nem mostrou arrependimento.

“Não se pode interiorizar uma coisa que não se tem”, respondeu o antigo apresentador, quando lhe perguntaram se agora já tinha interiorizado a culpa.

José Oliveira

Embora se tenha escusado a revelar com quem convive na cadeia, onde se encontra numa camarata com mais quatro reclusos, adiantou que se relaciona com todos “os que se aproximam” de si, incluindo do processo Casa Pia, menos com Carlos Silvino, que se encontra noutro piso.
Mostrando-se bem-disposto, Carlos Cruz foi respondendo às perguntas com alguma ironia e só pediu “reserva” pela sua vida privada quando o questionaram sobre se ia passar o Natal com os familiares mais próximos.

O antigo apresentador de televisão remeteu para o seu advogado pormenores sobre os efeitos de uma queixa apresentada ao Tribunal Europeu dos Direitos do Homem (TEDH) e partiu para três dias em liberdade, no carro de um amigo que o foi buscar à porta do estabelecimento da Carregueira.

Carlos Cruz cumpriu metade da pena, em dezembro de 2014, após o Tribunal da Relação de Lisboa ter alterado a pena inicial de sete anos de prisão, a que tinha sido condenado na primeira instância, fixando-a em seis anos, por três crimes de abuso sexual de menores.

O antigo provedor-adjunto da Casa Pia, Manuel Abrantes, condenado a cinco anos e nove meses de prisão por dois crimes de abuso sexual de menores, também deixou hoje a Carregueira para gozar uma licença precária de três dias no Natal.

No processo Casa Pia, relacionado com abusos sexuais de alunos e ex-alunos da instituição, foram ainda condenados um antigo motorista casapiano, Carlos Silvino (a 15 anos de prisão), o médico Ferreira Dinis (sete anos) e o diplomata Jorge Ritto (seis anos e oito meses).