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Depois de Neil Armstrong, outro grande salto… e com aterragem perfeita

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SPACEX / EPA

O tempo em que os foguetes, após servirem uma única missão espacial, caíam descontrolados pode estar prestes a terminar e a aterragem do foguete Falcon 9 é mais uma prova disso mesmo

André M. Correia

A empresa norte-americana de transporte espacial Space X conseguiu na passada segunda-feira fazer com que o foguete Falcon 9 aterrasse em perfeitas condições, de modo a poder ser reutilizado em futuras missões. Depois de a 23 de novembro a empresa Blue Origin ter entrado para os livros de história ao fazer retornar à Terra de forma bem-sucedida o primeiro foguete, agora segue-se mais este feito. Está aberto o caminho para uma nova era na exploração espacial, com menos gastos e uma maior eficiência.

Fundada em 2002, há vários anos que a Space X tentava fazer regressar à Terra de forma controlada um dos seus ‘rockets’, mas foram várias as tentativas goradas, como aconteceu a 28 de junho quando um foguete explodiu minutos após o lançamento.

Nesta nova corrida pela tecnologia espacial, a empresa acabou mesmo ultrapassada pela concorrente Blue Origin, do fundador da Amazon, Jeff Bezos. Agora, a 21 de dezembro de 2015, a missão denominada ORBCOMM 2 chegou a bom porto – ou seja, chegou ao solo terrestre sem qualquer dano – para delírio de todos os envolvidos neste projeto.

O Falcon 9 possui nove motores de propulsão e foi projetado para o transporte “seguro e fiável de satélites e naves até à órbita terrestre”, lê-se no site oficial da Space X, que trabalha em parceria com a NASA para desenvolver soluções mais eficientes.

Este foguete reutilizável permite ir mais longe e mais rápido do que aquele que foi desenvolvido pela Blue Origin. Pode carregar até 13, 150 quilos, e está dividido em duas partes, que se separam já em pleno voo. Só a primeira parte do foguete é recuperável.

Embora esteja perfeitamente operacional, o primeiro foguete que a Space X fez regressar não deve voltar a voar. Quem o garante é o proprietário da empresa, Elon Musk. “Acho que vamos manter este no chão”, disse numa conferência de imprensa. “É o primeiro que conseguimos trazer de volta”, justificou o empresário, considerando que por esse facto ele se torna “único”.

O modelo Falcon 9 junta-se assim a uma frota de outros dois veículos que a empresa Space X disponibiliza: o foguete Falcon Heavy e a nave tripulada Dragon.

O lançamento decorreu numa base militar situada em Cape Canaveral, no estado da Flórida. Além de testar o regresso controlado do dispositivo de propulsão, esta missão serviu ainda para transportar 11 satélites para a órbita terrestre.