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“Acha que vamos voltar a mandar dinheiro para Portugal?”

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José Coelho / Lusa

Lesados do BES protestaram no Porto. Grupo de manifestantes tentou levantar uma barreira de segurança montada pela polícia e arremessar ovos contra a fachada das instalações do Novo Banco na Avenida dos Aliados, no Porto

Cerca de uma centena de emigrantes manifestaram-se, durante a manhã desta terça-feira, em frente às instalações do Novo Banco, na Avenida dos Aliados, Porto, reclamando a devolução de poupanças depositadas na instituição.

"Estamos convencidos de que este Governo vai ajudar à devolução das nossas poupanças, que temos depositadas a prazo", declarou à Lusa Luís Marques, emigrante em França há mais de 30 anos, que se disse porta-voz do grupo de manifestantes.

Os manifestantes chegaram a tentar levantar uma barreira de segurança montada pela polícia, que também tem no local agentes do corpo de intervenção, ao mesmo tempo que o acesso ao interior daquela instituição bancária se manteve interdita. Tentaram também arremessar ovos contra a fachada do Novo Banco, o que foi gorado por um polícia, que se encontrava à paisana, mas que se identificou como agente de autoridade.

Sem autorização da polícia para prosseguir a manifestação pelas ruas da Baixa do Porto, a centena de manifestantes deslocou-se em seguida para a frente das instalações do Banco de Portugal onde permaneceram cerca de uma hora mais, repetindo as palavras de ordem, sem mais incidentes.

“Banco de Portugal não cuidou das nossas poupanças”

Luís Marques manifestou-se contra a postura daquela instituição bancária "de querer capitalizar-se à custa do dinheiro" dos emigrantes.
Para o porta-voz dos manifestantes, "este Governo empenhou-se na resolução do problema do Banif ao contrário do anterior que apenas começou a atuar juntamente com o Banco de Portugal quando as situações já eram dramáticas".

E sobre as responsabilidades que nos últimos dois anos têm trazido os emigrantes lesados para a rua em protesto, Luís Marques reconheceu culpas repartidas sem, contudo, deixar de apontar o dedo ao Banco de Portugal. "Houve, se calhar, uma confiança excessiva da nossa parte e um aproveitamento por parte dos bancos, mas também sabemos que em todas as instituições há um regulador e o Banco de Portugal não cuidou das nossas poupanças".

E concluiu as declarações à Lusa com um aviso: "Todos os cidadãos vão perder com esta situação", deixando uma pergunta: "Acha que mais algum emigrante vai continuar a mandar dinheiro para Portugal depois de tanta desconfiança gerada em torno das nossas poupanças?".