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Youtube Red lança-se ao ataque da Netflix

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AO ATAQUE. Robert Kyncl, Manager do YouTube e ex-veterano da Netflix

d.r.

Muitos houve que franziram a testa e se interrogaram sobre onde pretenderia chegar o Google ao lançar a versão paga e livre de anúncios publicitários do YouTube. Torna-se agora claro que os senhores do YouTube Red estão a fazer os trabalhinhos de casa para entrar no mercado do vídeo online, no território do “streaming”, onde pontuam e crescem a Netflix, a Amazon Prime Video e o Hulu, só para assinalar os maiores

LUÍS PROENÇA

Palavra do “Wall Street Journal”: executivos da Alphabet, empresa subsidiária do YouTube, têm mantido reuniões nestes meses mais recentes com representantes dos estúdios de Hollywood e outras empresas produtoras de conteúdos com a missão de negociar a aquisição de direitos de diversa programação televisiva, nomeadamente séries e filmes, para distribuição através do YouTube Red.

Este serviço de subscrição recentemente lançado (custa 9,99 dólares por mês nos Estados Unidos) pela maior plataforma mundial de acesso a vídeo, detida pelo titã Google, surge na categoria da distribuição premium, para já por duas razões de facto e uma anunciada: de facto, os spots publicitários não estão presentes e, de facto, o serviço oferece música em regime de “streaming”; a partir do ano que vem, está feita a promessa de o YouTube Red passar a ser uma janela privilegiada para ver em ação, em narrativas visuais cuidadas, algumas das estrelas que mais brilham no firmamento da popularidade do YouTube de sempre (acesso gratuito e com publicidade embebida desde 2007), como o sueco Felix Klellberg, conhecido por “PeeDiePie”, recordista mundial de seguidores na plataforma aberta (atualmente acima dos 40 milhões) com as suas paródias e comentários sobre videojogos, sobretudo de ação. O YouTube Red anuncia “dez filmes” para 2016.

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Os esforços dos executivos da empresa para fazer crescer água na boca dos consumidores ávidos da oferta de originais e exclusivos pode seguir por duas vias: uma mais madura e já proclamada – a criação de conteúdos próprios com recurso à prata da casa; e esta segunda via de que agora se fala. O ingresso no concurso dos direitos de exibição, nomeadamente de séries e filmes, estão ainda a dar os primeiros passos, de acordo com uma das fontes citadas pelo jornal.

Nesta mata mais densa por onde os gigantes do “streaming” já fazem caminho, prossegue o “Wall Street Journal”, há trilhos diversos a considerar pelos incumbentes. Os programas e filmes podem vir a ser distribuídos em exclusivo pelo YouTube Red. Ou então através dos canais tradicionais como os circuitos das salas de cinema, as redes de distribuição por cabo ou até a venda em DVD e estarem simultaneamente disponíveis para visionamento no Red. Certo e sabido, o YouTube ainda não decidiu qual a quantidade de títulos a negociar, mas a mesma fonte indica que o objetivo é conseguir uma coleção “robusta” em 2016 e nos anos seguintes.

O mercado global de “streaming” deverá ultrapassar a fasquia dos 50 mil milhões de dólares (45 mil milhões de euros) de receitas em 2020, de acordo com as mais recentes estimativas publicadas pela Digital TV Research. Se no domínio do vídeo online com publicidade associada o YouTube é dominante, deste lado do muro da subscrição paga tem muito caminho para fazer e adversários que levam léguas de avanço. O Red, com pouco mais um mês de vida, para já anuncia-se ASSIM.