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Suspeitos do Daesh detidos na Turquia com passaporte português

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D.R.

Documentação foi descoberta durante a revista à bagagem de um dos suspeitos. Estava escondida no interior de cinco minifornos portáteis. Detidos já estavam sob investigação por ligações ao autodenominado Estado Islâmico

As autoridades turcas detiveram na passada quarta-feira dois homens ligados ao Estado Islâmico com 148 passaportes verdadeiros, válidos e em branco, de vários países europeus. Na fotografia tirada no terminal internacional do aeroporto Atatürk, em Istambul, é possível ver o único documento de Portugal que integrava o lote. De acordo com a informação veiculada pelos media locais, a maioria dos passaportes é de França, existindo também exemplares da Grã-Bretanha, Alemanha, Irlanda, Dinamarca, Lituânia, Áustria, Bélgica, Polónia, Itália, Holanda, Roménia, Espanha, Luxemburgo e Rússia.

A documentação foi descoberta durante a revista à bagagem de um dos suspeitos. Estava escondida no interior de cinco minifornos de piza portáteis. O achado não foi um acaso. Ahmad A., um sírio de 58 anos, e Bahri Ö., um turco residente na Bélgica de 54 anos, já estavam referenciados por terem viajado, anteriormente e por várias vezes, para zonas da Síria dominadas pelo autodenominado Estado Islâmico (Daesh). Segundo a imprensa turca, as autoridades tinham informação sobre a chegada iminente de vários passaportes estrangeiros para serem distribuídos a militantes do Daesh na Turquia e redobraram a vigilância no aeroporto internacional de Ataturk. Pelas 15h do dia 16 de dezembro, mal aterraram em Istambul, a unidade de antiterrorismo foi chamada.

Além dos passaportes, as autoridades turcas apreenderam também uma carta de condução francesa, duas canetas com câmaras ocultas, dez cartões telefónicos de operadoras da Turquia e de vários países europeus, e dezenas de pendrives.

Os alegados jiadistas ficaram em prisão preventiva. A investigação passa agora por determinar como foram obtidos os passaportes e como seriam usados pelo grupo terrorista.

Turquia vs Daesh

Ancara apertou o cerco aos militantes jiadistas nos últimos meses depois de vários atentados reivindicados pelo Daesh terem vitimado centenas de pessoas em solo turco este ano. Até aí, a comunidade internacional criticava a “vista grossa” de Ancara ao trânsito de pessoas e mercadorias através da Turquia para a guerra na Síria – a maior parte dos jiadistas estrangeiros a combater no país vizinho terá entrado através da Turquia.

Agora, as autoridades turcas estão mais vigilantes e quase todos os dias detêm suspeitos – o ministro dos Assuntos Internos, Efkan Ala, confirmou esta semana que mais de 2.700 cidadãos estrangeiros foram já detidos e deportados quando tentavam entrar ilegalmente na Síria. Quinta-feira, 10 homens suspeitos de pertencerem ao Daesh foram detidos na fronteira entre a Turquia e a Síria na província de Gaziantep, incluindo três cidadãos estrangeiros. O Daesh ainda controla 100 km de fronteira do lado sírio, uma vital linha de abastecimento.