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Oito anos e três meses de prisão para mulher que atirou filho ao Douro

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Segundo o juiz presidente, a mãe lançou-se ao rio com o filho de seis anos, em outubro de 2009, com o objetivo de morrerem os dois. A arguida já havia sido condenada a cinco anos de prisão, suspensa na sua execução, mas o Ministério Público recorreu da decisão

O Tribunal São João Novo, no Porto, condenou esta quinta-feira uma mulher a oito anos e três meses de prisão por ter atirado o filho de seis anos ao rio Douro, em 2009, do que resultou a morte da criança. "Ela quis e conseguiu tirar-lhe a vida", disse o juiz presidente, durante a leitura da decisão judicial.

Segundo o magistrado, a mãe lançou-se com o filho de seis anos ao rio Douro, a 27 de outubro de 2009, com o objetivo de morrerem os dois. A criança, como não sabia nadar, acabou por morrer por asfixia, enquanto a mãe sobreviveu.

O menino foi encontrado morto no dia 29 de outubro de 2009, no esteiro de Avintes, em Vila Nova de Gaia, Porto, tendo a mãe sido resgatada com vida perto da Ponte Luiz I, por remadores do Clube Fluvial Portuense, a seis quilómetros do local.

A arguida já havia sido condenada a cinco anos de prisão, suspensa na sua execução, mas o Ministério Público (MP) recorreu da decisão, tendo o Tribunal da Relação do Porto mandado repetir o julgamento.

Durante o julgamento, que iniciou a 28 de outubro, a mulher confessou ter tido a intenção de se matar com ele, mas "perdeu a coragem". Na sua tese, o menor acabou por cair acidentalmente e não foi empurrado.

"O menino andava sempre doente com amigdalites, eu não aguentava mais vê-lo sofrer. Então, decidi atirar-me ao rio Douro com ele, mas ao chegar lá perdi a coragem. Tive medo, e, de repente, ele largou a minha mão e caiu à água. Atirei-me para o salvar, mas não consegui", disse a arguida.

A mãe do menor realçou que andava "muito perturbada e deprimida" por ver o filho constantemente doente, estando muitas vezes internado no hospital, e, para acabar com esse sofrimento, decidiu por termo à sua vida e à dele.

"Ele estava sempre a chorar, com dores, em pânico, eu não aguentava mais, depois achava que o meu marido não se interessava por nós, só pensava no trabalho, não tinha apoio em casa", salientou. Na água, a mulher explicou ter gritado "muito", pedido ajuda, mas sendo de noite ninguém a ouviu.

Nesse dia, a arguida realçou ter deixado uns bilhetes em casa a manifestar a sua intenção com a "esperança" que a fossem salvar e impedir de cometer o ato, mas ninguém apareceu no local.

"Estive toda a noite, até ser encontrada de manhã, na água, deitada numas rochas", explicou. E acrescentou: "o meu filho era o meu mais que tudo, só queria estar com ele 24 horas por dia". O arguido da mulher condenada anunciou que vai recorrer do veredicto.