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Ex-espião: “O Dr. Miguel Relvas confirmou tudo o que eu disse em tribunal”

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Marcos Borga

À saída para almoço no julgamento do caso das secretas, Jorge Silva Carvalho afirmou que nunca disse em tribunal que Miguel Relvas o tinha convidado para número 1 dos serviços de informações. O que disse, garante, foi outra coisa ligeiramente diferente

Questionado pela SIC à porta do tribunal, no Campus da Justiça, quando saía para o intervalo de almoço de mais uma sessão do julgamento, o antigo diretor-geral do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) afirmou que “o dr. Miguel Relvas confirmou” tudo aquilo que o principal arguido do caso das secretas tinha dito sobre conversas mantidas em 2011 entre o então secretário-geral do PSD e o próprio Jorge Silva Carvalho.

Relvas desmentiu recentemente que alguma vez tenha convidado, pouco tempo antes de sair do PSD, o ex-espião para secretário-geral do SIRP (Sistema de Informações da República Portugal), a cúpula das secretas em Portugal. “O Dr. Miguel Relvas nunca me convidou. O que eu disse em tribunal foi que o Dr. Miguel Relvas me perguntou se eu tinha intenções de alguma vez voltar aos serviços.”

Há duas semanas, numa nota de esclarecimento, Relvas, que exerceu o cargo de ministro dos Assuntos Parlamentares no governo de Passos Coelho, disse que o que fez foi manifestar a opinião de que, ao demitir-se do cargo de diretor-geral do SIED em 2010 em confronto com a hierarquia, Silva Carvalho estava “automaticamente a autoexcluir-se de vir a exercer no futuro idênticas funções”.

Silva Carvalho não quis, entretanto, comentar as declarações ao jornal “Público” de Fernando Paulo Santos, testemunha no processo e seu antigo colega no grupo Ongoing, que o acusa de mentir. O ex-diretor-geral do SIED revelou em julgamento que Fernando Paulo Santos era uma fonte recrutada pelos serviços secretos. “Tenho uma boa opinião sobre o dr. Fernando Paulo Santos”, limitou-se a dizer, justificando que se viu obrigado a fazer essa revelação “incómoda” no tribunal por necessidade da sua defesa. “Há reações que são reações normais.”