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Cantaram as almas para o homem (que também é Papa) dos gestos simbólicos

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O Papa Francisco na Praça de São Pedro, em frente à basílica do Vaticano, em 2014

TIZIANA FABI/AFP/Getty Images

O homem dos pequenos gestos; o homem da simplicidade; o homem da pobreza; o homem da família; o homem das massas; o homem que é pecador. Seis histórias de e sobre Francisco em dia de aniversário do Papa

São 79 anos de Jorge Mario Bergoglio. Quase três de Francisco. O homem que veio ao mundo em 1936, não o Papa, fez anos esta quinta-feira. E o homem não é sagrado, é apenas mais um entre muitos. “Apenas se nos tornarmos pobres, despojando-nos de toda a complacência, seremos capazes de nos identificar com o mais modestos dos nossos irmãos e irmãs”, disse este ano Francisco na Catedral da Imaculada Conceição em Manila, nas Filipinas, a 16 de janeiro de 2015.

Neste dia de celebrações sem qualquer cerimónia ou ato oficial previstos, deixamos aqui algumas histórias, gestos e momentos do homem além do Papa.

O homem dos pequenos gestos

Antes de Jorge Mario Bergoglio ser Papa, o ritual da Quinta-feira Santa tinha por hábito ser celebrado no Vaticano ou na Basílica de São João de Latrão, em Roma. Mas Francisco prefere trocar a basílica pelas ruas. Este ano, por exemplo, o Papa lavou os pés a 12 reclusos no estabelecimento prisional de Rebibbia, em Roma, um dos mais sobrelotados de Itália - tal como terá feito Jesus, num surpreendente gesto de humildade, na última ceia com os 12 apóstolos.

O homem da simplicidade

“Eu fico bem aqui em baixo.” A frase marcante denunciou desde o primeiro dia de Pontificado a postura de Bergoglio - e do Papa Francisco - perante a vida. No dia em que foi eleito Papa, foi-lhe pedido que se deslocasse à Varanda das Bênçãos para falar com o povo. Com humildade, Francisco recusou subir à varanda, limitando-se a responder: “Eu fico bem aqui em baixo”.

O homem da pobreza

Não é só como Papa que Francisco faz um voto de pobreza. Já desde pequeno, no seu ambiente mais familiar, Jorge Bergoglio foi criado com alguma austeridade, segundo contava a escritora italiana Frascesca Ambrogetti, coautora de “El Jesuita” e “Papa Francisco”. Os pais, imigrantes italianos, educavam-no e aos seus quatro irmãos com contenção, apesar de não viverem grandes dificuldades financeiras. A sua família não tinha carro, não tinha por hábito sair para jantar fora nem sequer para passar férias e reaproveitava roupas dos pais para os filhos. Quando começou os estudos no secundário, o pai disse-lhe que era importante que ele, o filho, começasse a trabalhar.

Esses ensinamentos familiares parecem ter ficado para toda a vida. Também antes de ser Papa, Bergoglio trocou o palácio apostólico por um apartamento na capital argentina, dispensando a limusina em prol do autocarro e do metro e decidindo ser ele próprio a preparar as suas refeições, de modo a viver como a maioria das pessoas. A justificação? “O meu povo é pobre e eu sou um deles.”

O homem da família

Mario Bergoglio nasceu na Argentina pela vontade dos seus avós de reunirem a família. Viviam em Itália, mas decidiram emigrar para a Argentina não por problemas financeiros, mas por quererem juntar-se aos irmãos. Numa entrevista, Francisco reconhece que foi uma das avós, Rosa, a grande incentivadora do seu caminho em direção ao sacerdócio. Foi com ela que aprendeu a rezar, que conheceu as histórias de vida dos santos e era ela que o inspirava na postura de frontalidade perante a vida.

O homem das massas

Francisco não tem medo de ser diferente, desde que isso o aproxime das pessoas. E tem a lucidez de perceber o mundo em que vive atualmente, servindo-se das ferramentas mais populares para chegar aos outros. Como as redes sociais, por exemplo. Só a sua conta oficial em inglês no Twitter (há outras: em latim, espanhol, polaco, português, italiano, francês e alemão) tem mais de 8 milhões de seguidores. E está cheia de mensagens de esperança, pequenos objetivos, testemunhos.

Nota importante: em novembro deste ano, lançou o seu primeiro álbum de rock cristão, “Wake Up!”, constituído por vários discursos gravados e acompanhados de músicas de oração e cânticos de vários artistas italianos.

O homem que é pecador

“Todas as pessoas pecam, inclusive o Papa - e muito.” Com esta frase proferida durante uma missa na Praça de São Pedro em 2013, debaixo de uma chuva torrencial e perante uma multidão de cerca de 90 mil pessoas, Francisco dessacraliza a imagem do Papa - e da Igreja. “A Igreja tem muitos aspetos humanos e aqueles que a ela pertencem, os seus pastores e fiéis, também têm pecados.” Assumindo publicamente as suas fragilidades com humildade e verdade, o Papa convidava a sermos mais verdadeiros connosco e com os outros.