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Ataque a Paris foi ato legítimo de guerra? Arnaldo Matos defende que sim

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Fundador do MCTP-MRPP preconiza, num desabrido editorial publicado no “Luta Popular”, que a culpa dos massacres de 13 de novembro é toda do “cobarde e terrorista imperialismo francês”. “É a lógica da guerra, dente por dente, olho por olho, até derrotar o inimigo”, escreve

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Ana Baião

No site do “Luta Popular”, órgão central do Partido Comunista dos Trabalhadores Portugueses (PCTP/MRPP), Arnaldo Matos lança um feroz ataque ao Governo francês e ao Partido Comunista de França, que há um mês publicou um editorial a condenar os ataques de Paris, posição que o fundador do PCTP-MRPP considera ser “um ultraje à teoria revolucionária e um insulto ao internacionalismo da heróica classe operária francesa”.

Ao contrário da “canalha revisionista reacionária”, o ex-líder partidário defende que as causas reais do massacre, que aconteceu “precisamente em Paris e não em Lima, Quito ou Havana”, não foi um massacre mas um ataque militar superiormente organizado e conduzido ao coração do imperialismo gaulês, “infligindo uma pesada e demolidora derrota ao maior exército e à maior organização policial do continente europeu”.

No mais recente e longo editorial do “Luta Popular”, Arnaldo Matos atira a matar não apenas sobre “o cobarde e terrorista imperialismo francês”, mas ainda ao imperialismo ianque, inglês, alemão e europeu em geral, responsáveis por “massacrar” nos últimos 20 anos os povos do Iraque, Afeganistão, Síria, Líbia, Chade, Nigéria e Mali. A teoria do fundador do MRPP é que a França não está impune, razão que levou a que fosse atacada “no próprio covil em que se acoita”.

Matos prossegue que o que aconteceu em Paris não foi um massacre mas um ato legítimo de guerra, cometido não por islamitas mas por jiadistas, “isto é, combatentes dos povos explorados e oprimidos pelo imperialismo” (...) “franceses, nascidos em França”. “Pois é, os combatentes de Paris não são islamitas estrangeiros; são irmãos de sangue do filósofo Alain Badiou e de outros ideólogos do Partido Comunista de França”.

O violento editorial avança que terror, horror, crueldade são os ataques aéreos de mísseis de cruzeiro, de artilharia e drones condizidos pelo imperialismo, designadamente francês, sobre homens, os velhos, as mulheres e as crianças das aldeias e das cidades de Àfrica e do Médio Oriente para “roubar-lhes o petróleo e as matérias-primas”. “Os atacantes de Paris nem chocolates roubaram: levaram a guerra aos franceses apenas para acordá-los”, conclui Arnaldo Matos.