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Sócrates esperava mais apoio do PS

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JOSÉ COELHO/ Lusa

O antigo primeiro-ministro não tem dúvidas: “o mal já está feito. O PS perdeu as eleições”. Na entrevista na noite desta segunda-feira à TVI, referiu também que a sua prisão lançou “suspeita sobre o Governo anterior, de que seria desonesto”, razão porque esperava a intervenção dos socialistas

José Sócrates sublinhou, em entrevista esta segunda-feira à TVI, que a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal, “tem de dar uma explicação” sobre o seu caso, “esgotado que está o prazo” da investigação. “É legítima a suspeita de que agora nem precisam de apresentar a acusação porque o mal já está feito. O PS já perdeu as eleições."

O principal arguido da Operação Marquês admitiu que esperava mais do PS enquanto esteve em prisão preventiva. “Contava que o PS dissesse: não é tempo de apresentarem as provas? Porque lançaram a suspeita sobre o governo anterior, de que seria um governo desonesto. E repare: só me soltaram depois das eleições.”

Quando o jornalista José Alberto Carvalho, que conduzia a entrevista, resolveu introduzir o tema da corrupção, um dos crimes de que Sócrates é acusado, o ex-primeiro-ministro recordou o momento em que foi interrogado pela primeira vez pelo procurador Rosário Teixeira, o magistrado que conduz a Operação Marquês: “Virei-me para ele e disse-lhe: o senhor procurador faz o favor de me dizer quando e como eu cometi o crime de corrupção? Sabe como o senhor procurador me respondeu? Senhor engenheiro, sobre esse aspeto a investigação ainda agora começou.”

“A primeira vez que se fala de corrupção no processo é a 17 de novembro de 2014, quatro dias antes de eu ser detido”, disse o principal arguido da Operação Marquês, sublinhando que não havia nada contra ele nessa altura. “Mas então por que não investigar primeiro e deter depois?”, ironizou.

Sócrates fez questão de ir ao detalhe sobre os contratos conseguidos durante os seus mandatos à frente do Governo pelo Grupo Lena, um conglomerado de obras públicas descrito pelo Ministério Público como o corruptor do ex-primeiro-ministro. “A Lena ganhou, esteve presente em duas PPP [parcerias público-privadas]. Duas em 21 PPP. E esteve presente em consórcios, onde num tinha uma participação de 7,8% e noutro uma participação de 16,25%”, recordou. “Quanto à Parque Escolar, em 250 contratos a Lena ganhou 10.”

A entrevista em direto foi entretanto interrompida, com o anúncio de José Alberto Carvalho de iria ser gravada uma segunda parte logo de seguida, para ser transmitida, sem cortes, durante o Jornal das 8 desta terça-feira.