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Sócrates: “Ao fim de um ano o que se percebe é que houve castigo sem crime”

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Mário Cruz/ Lusa

O antigo primeiro-ministro sublinhou que este não se trata de um “processo qualquer”, e considerou que o Ministério Público montou uma “campanha de terror”, que serviu para “atemorizar” a sua família e amigos

Na entrevista esta segunda-feira à TVI, José Sócrates lamenta que mais de um ano depois de ter sido detido o Ministério Público não foi capaz de apresentar uma acusação contra ele. “Não estamos a falar de um processo qualquer. Estamos a falar de um processo que envolve um político, alguém que foi primeiro-ministro”.

Sócrates foi mais longe, comentando uma frase da procuradora Maria José Morgado (“As pessoas não são loucas”): “Não sei se as pessoas são loucas. Deixar passar mais de um ano sem uma acusação é que uma loucura”.

O ex-primeiro-ministro diz que o Ministério Público montou uma “campanha de terror” contra ele. O ex-primeiro-ministro diz que está convencido, um ano depois de ter sido preso, que a forma como foi detido serviu para “atemorizar” a sua família e os seus amigos na esperança de que talvez o pudessem comprometer. “Queriam construir esse espetáculo e criar assim um clima de intimidação”.

Na entrevista à TVI, Sócrates contou como o seu advogado João Araújo chegou a falar com o diretor do DCIAP, o departamento que o estava a investigar, horas antes de ser detido e que lhe foi dito que iria transmitir isso ao procurador responsável pela investigação. Mas isso não impediu a sua detenção à saída do avião em que voltou de Paris para Lisboa, na noite de 21 de novembro. “A minha detenção foi feita com selvajaria."

O ex-primeiro-ministro diz que o “ódio pessoal” é a única motivação que encontra para o facto de o Ministério Público ter decidido propor em junho deste ano que ficasse mais três meses na cadeia de Évora, depois de Sócrates ter recusado ir para casa com pulseira eletrónica.

Depois de ter gasto a primeira parte da entrevista a queixar-se do facto do prazo para a investigação de que é alvo ter sido ultrapassado, José Sócrates passou largos minutos a acusar o Ministério Público de ter organizado ou pelo menos permitido a violação sistemática do segredo de justiça. “Vejo aqui um desprezo gigantesco por aquilo que deve ser um processo leal.”

O ex-primeiro-ministro referiu-se ao momento em que foi detido no aeroporto de Lisboa e às imagens que foram captadas nessa noite do carro em que ia como uma “encenação” e apenas o primeiro de muitos episódios de violação do segredo.