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“O que é a luz?” A dúvida de Einstein tirada da sombra

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Tubo de Lecher

D.R.

A luz está em todo o lado: no céu azul, no vermelho do pôr-do-sol, no imaginário humano, nos mitos e crenças. Por isso mesmo, a partir desta terça-feira haverá uma tentativa de resposta à pergunta ali do título - e vamos poder mexer e experimentar

André M. Correia

Em 1955, Albert Einstein escreveu: "Cinquenta anos de pensamento não me trouxeram mais perto de responder à pergunta: o que é a luz? Hoje todos acham que sabem a resposta, mas, na verdade, trata-se de uma ilusão, pois na realidade não sabem”. Já no século XXI, em 2003, o físico norte-americano Arthur Zajonc ousou dizer que “estamos no mesmo estado de ignorância esclarecida” em que estava o autor da teoria da relatividade geral, publicada há cem anos.

De forma a responder a esta difícil questão, a Universidade do Porto (UP) juntou-se ao Museu Nacional Soares dos Reis e inaugura esta terça-feira a exposição “Lux Mirabilis” (Luz Maravilhosa). Proclamado 2015 como ano internacional da luz pela assembleia geral das Nações Unidas, esta mostra - que reúne cerca de 170 peças – tenta entender essa entidade física nas suas múltiplas dimensões.

Na opinião da curadora desta exposição, Marisa Monteiro, a importância da luz é “vital”. Está em todo o lado: no céu azul, no vermelho do pôr-do-sol, no imaginário humano, nos mitos e crenças religiosas, nos avanços tecnológicos, na arte e até mesmo em algumas expressões populares. “Quantas vezes damos por nós a dizer ‘ver a luz ao fundo do túnel’ ou ‘fez-se luz’?”, aludiu a curadora numa conversa com o Expresso.

A exposição promove uma junção entre objetos científicos e peças de arte, porque “é impossível dissociar estas duas áreas”, considera Marisa Monteiro. Opinião também partilhada pelo diretor do Museu de Ciência da UP, José Luís Santos, para quem a arte e o conhecimento científico “são duas disciplinas que caminham em paralelo”.

Entender a luz

Até 27 de março, o público terá a oportunidade de contemplar peças provenientes do Museu de Ciência, do Museu de História Natural, do Museu da Faculdade de Engenharia e do Fundo Antigo da Universidade do Porto. Outros objetos chegam da Associação Atractor, do Museu do ISEP, do Museu de Ciência da Universidade de Coimbra, que se juntam a obras do Museu de Soares dos Reis.

Uma réplica do microscópio do cientista holandês Leeuwenhoek leva-nos aos primórdios da observação de bactérias (século XVII) e o tubo de Lecher utiliza o fenómeno da fluorescência para determinação do comprimento das ondas hertzianas. Por seu lado, o quadro “Cuidados de Amor”, do pintor naturalista José Malhoa, apresenta-nos, em contraluz, uma jovem minhota com uma paisagem intensamente iluminada ao fundo.

O projetor cinematográfico que terá pertencido ao fotógrafo Emílio Biel vai estar também entre as perto de 170 peças e servirá para assinalar os 100 anos da morte deste alemão que viveu no Porto e foi um dos precursores da fotografia em Portugal.

“Luz Mirabilis” é uma exposição de entrada livre e que incluirá uma componente interativa. “É importante o público mexer e experimentar”, realça José Luís Santos. A inauguração é às 18h30 no Museu Nacional Soares dos Reis.