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Linha vermelha do Metro de Lisboa foi pista para 100 atletas

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MANUEL DE ALMEIDA/LUSA

A viagem começou na estação de São Sebastião e terminou no Aeroporto. O primeiro a terminá-la foi Tiago Cantante Romão, de 26 anos, 38 minutos e 12 estações depois

O Metro de Lisboa registou durante a madrugada deste domingo um tráfego invulgar. Em vez de carruagens, as linhas foram ocupadas pela centena de participantes na corrida subterrânea Discovery Underground.

A estreia de Lisboa seguiu-se às corridas em Madrid e Barcelona, mas com o mesmo objetivo, o de proporcionar uma experiência única a atletas "excecionais": das inscrições, que excederam as 4.000, foram escolhidas as 100 melhores histórias de superação.

Feita a seleção, os corredores apresentaram-se às 0h00 de domingo na estação de São Sebastião, onde, às 2h30, o saltador Nelson Évora, campeão olímpico em Pequim, em 2008, deu a partida para os 10 quilómetros da 'corrida' com destino ao Aeroporto.

O primeiro a terminar a viagem foi Tiago Cantante Romão, de 26 anos, 38 minutos e 12 estações depois. "Foi extraordinário correr nestes túneis. Nunca tinha pensado nisto antes, mas proporcionou-se, e o facto de vir à frente foi espetacular, porque estava mesmo sozinho", explicou à Lusa o primeiro a cruzar a meta.

Antes da corrida, a revista policial, os constantes alertas para os perigos e os equipamentos obrigatórios, entre os quais se contava um capacete, faziam prever uma aventura arriscada, superada facilmente pela maioria.

"Os últimos quilómetros é que foram mais difíceis, com a subida desde o Oriente, mas, de resto, acho que não foi nada perigoso, porque os obstáculos são cíclicos: sempre que chegávamos a uma estação tínhamos de correr pelo meio e durante o resto do percurso nas laterais", explicou à Lusa André Couceiro, de 23 anos, após concluir o percurso em 44 minutos.

No entanto, esta não é uma opinião unânime. "Logo no primeiro minuto não vi a separação entre as lajes laterais e a parede, pensei que era tudo laje até à parede, acabei por torcer o pé e fui com o braço ao chão, mas deu para correr até ao fim", recordou João Pateira, de 37 anos, elogiando a partida por grupos e o companheirismo registado no seu.

Mais experiente, Paulo Pires, de 50 anos, e praticante regular de 'trail running', também elogiou os trilhos da linha vermelha. "A piada é que se calhar nunca vou correr neste sítio. Pensava que ia correr bastante menos, mas é possível correr durante quase todo o percurso, sendo que era preciso ter algum cuidado quando se tem de atravessar a linha", explicou.

A aplaudir todos os atletas finalistas estavam os responsáveis pela organização, do Metro de Lisboa e do canal Discovery. "A verdade é que superou todas as minhas expetativas. Eu estava à espera que os participantes chegassem contentes, felizes, mas, na verdade, chegaram emocionados. Acho que conseguimos fazer uma coisa única e proporcionar momentos inesquecíveis a estas pessoas",resumiu a diretora de marketing do canal Discovery, Elena Hermosilla.

A corrida Discovery Underground Lisboa permitiu aos participantes percorrerem dez dos 43 quilómetros dos túneis do metro lisboeta e a passagem por 12 das suas 55 estações.