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Dicas de poupança: promoções à portuguesa?

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josé carlos carvalho

PEDRO ANDERSSON/SIC

Um estudo da Associação de Defesa do Consumidor (DECO) da semana passada veio confirmar uma suspeita que já tenho há muito tempo. Muitas lojas aumentam os preços de alguns produtos (todos dava demasiado nas vistas) na véspera das promoções. Já me aconteceu andar a “namorar” um produto - na altura era um eletrodoméstico - e anotei os preços dele em várias lojas durante 2 semanas. Quando estava para o comprar, ouvi na rádio que no fim de semana seguinte havia uma das tais promoções sem IVA ou equivalente. Decidi esperar. Quando cheguei à loja e descontei os 23%, o produto era, mesmo assim, o mais caro da minha lista comparativa de preços. Voltei para casa, mais do que confuso, desiludido.

Confirmei nesse dia que o consumidor tem de estar sempre atento e fazer bem as contas antes de comprar o que quer que seja. E não ir atrás das promoções só porque a publicidade diz que é “imperdível”.

Há promoções, como nos casos seguintes, que não o são assim tanto. Verificou a DECO que, numa grande superfície, o preço do televisor LG 55UF770V aumentou mais de 60% na véspera da Black Friday. Somados os aumentos e subtraídos os descontos, entre os dias 25 e 27 de novembro, o televisor aumentou 340,20 euros. Noutra loja, o preço do televisor LG 32LF5610 aumentou 80 euros no dia 18 de novembro. Na Black Friday, afinal o desconto foi de 40 euros. Ou seja, os consumidores podiam ter comprado o televisor por um preço inferior apenas 10 dias antes.

A Worten, uma das empresas visadas pela DECO, em comunicado, garantiu que não aumenta os preços antes das promoções. O que acontece - justifica - é que faz tantas promoções que raramente tem o preço “normal” e que, por isso, a comparação da DECO é enganadora. Nos dias anteriores, o preço mais baixo registado pela Associação de Defesa do Consumidor era uma promoção e por isso na Black Friday o desconto era sobre o preço normal (o mais alto, sem as promoções que já tinham terminado). Em resumo, a Worten não desmente as contas da DECO: esclarece que não aumenta preços, mas sim faz terminar descontos anteriores para aplicar descontos porventura menores.

É curioso, aliás, que a Worten diz quer contactou o único cliente que comprou a tal TV e ofereceu-lhe a possibilidade de acumular o desconto da Black Friday com o desconto anterior. Ou seja (não digam nada a ninguém...) abre aqui uma porta interessante, para o caso em que o potencial comprador que o desconto que estão a oferecer hoje é menor do que o desconto a que teve direito na semana passada. Mas isso já são outras contas... Por via das dúvidas, vou guardar este comunicado.

Nos casos menos graves, e tive na mão a lista dos produtos que a DECO analisou, com o desconto da Black Friday muitos equipamentos que eram anunciados como tendo 30% de desconto, comparando com os preços das semanas anteriores, custavam apenas uns poucos euros a menos. A conclusão da DECO é que 1 em cada 20 produtos “em promoção” deu prejuízo a quem os comprou, face aos preços anteriores.

Como é que isto se resolve? A DECO propôs ao (novo) Governo que as lojas sejam obrigadas a colocar nos artigos em promoção o preço mais baixo daquele produto nos últimos 30 dias. Isso seria um enorme avanço no âmbito da defesa do consumidor. Vamos ver no que dá. Não custa ser otimista.

Pela minha experiência, mesmo nos hipermercados, os 50%, os 25%, o “Leve 2, pague 1” ou os “Poupe metade” algumas vezes são sobre valores completamente inflacionados. A única maneira de o consumidor se proteger destas falsas promoções é estar informado e saber sempre o preço “normal” das coisas que lhe interessa quando NÃO estão em promoção (veja o quadro ao lado, ou no separador “E ainda”, se estiver a usar telemóvel).

Assim, quando chegar o esperado dia da promoção, não vai ser enganado. E terá a certeza de que teve uma poupança real. Há, de facto, boas promoções nesses dias, tem é de saber quais são. Em todos os produtos não é...

sugestão

COMECE A COMPARAR PREÇOS ANTES DOS DIAS DOS DESCONTOS

Antes de comprar o que quer que seja, caso possa esperar, vá anotando os preços do que pretende durante 2 ou 3 semanas, em várias lojas. A internet pode ajudar nesse sentido, embora às vezes online os preços sejam diferentes. Páginas como KuantoKusta, Izideal e outros simuladores (a DECO também tem, mas é só para associados) dão-lhe uma ideia do que deve esperar. Pelo menos fica com uma indicação dos preços praticados em Portugal.

Depois, aguarde por um fim de semana de “Descontões” ou de promoções específicas. E compre, se a promoção for de facto REAL. Há produtos que, mesmo em promoção, são mais caros do que na loja ao lado sem qualquer promoção. Lembre-se: “Promoção” não significa necessariamente poupança.