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A Tecnologia em Portugal? Vai bem… e recomenda-se!

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A Nº UM DO RANKING A Meo é a tecnológica que mais fatura em Portugal. Aqui, Francisco Maria Balsemão, vice presidente do Grupo Impresa, e António Monteiro, CEO da Ignios, entregam o prémio a João Sousa, Chief Sales Officer da Meo

luís coelho

Vou ao Porto, a Braga, a Aveiro ou a Lisboa e o padrão mantém-se. Estamos, mesmo, a tornar-nos na tal “nação startup” tão desejada pelo saudoso Diogo Vasconcelos. E usar o termo “nação” não é abusivo. À semelhança do que se passa com o restante tecido empresarial português, também as empresas de caráter tecnológico (independentemente da sua dimensão) estão a fixar-se no litoral e nos distritos mais ricos e com mais população. No entanto, é surpreendente ver como o mercado empresarial das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) sofreu, em Portugal, uma curiosa mutação. Estes são alguns dos dados apurados pela “Exame Informática”, em colaboração com o “Expresso” e com a consultora Ignios, que publica este mês o ranking das “200 maiores empresas de tecnologia” que atuam no nosso país.

O ranking põe a nu o domínio dos operadores de telecomunicações, que reclamam para si os três primeiros lugares do pódio. Nessa corrida a três, é a Meo que lidera. O volume de negócios em 2014 chegou quase aos 2,5 mil milhões de euros. Um valor incrível se tivermos em consideração que a Nos Comunicações, a número 2 do ranking, faturou 1,2 mil milhões de euros. A diferença é grande. E torna-se abissal de olharmos para o número 4 do ranking, a primeira empresa “não operador” da listagem. A Samsung Eletrónica Portuguesa faturou quase 350 milhões de euros.

A ascensão de um distribuidor de eletrónica de consumo – a Samsung em Portugal tem atividade aberta como distribuidor – representa a principal mudança que existiu no mercado nacional de TIC entre 2006 (a última vez que o ranking foi publicado pela “Exame”) e 2014. Uma empresa que junta mercado de consumo e mercado profissional consegue faturar mais do que outras que atuam exclusivamente no comércio entre empresas (com maiores margens e menos intensivo em termos de custos com portefólio). Aliás, se tivéssemos isolado os operadores de telecomunicações, a Samsung seria a empresa nº1 do ranking. Ou seja, a tecnológica que mais fatura em Portugal. Sejamos sinceros, é muito difícil (para não dizer impossível) a uma empresa de cariz tecnológico que atua no mercado nacional conseguir faturar mais de mil milhões de euros sem ser um operador. Por isso, o ranking das maiores tecnológicas será, sempre, disputado a duas velocidades.

Há mais dados interessantes a reter. Este setor já representa 6,7% do PIB. São mais de 11 mil milhões de euros, dos quais quase 2 mil milhões já são para exportação. Ou seja, depois de cinco anos de verdadeira tempestade onde os resultados não foram encorajadores, o setor das TIC tem espaço para respirar e voltar ao crescimento. Abaixo da média europeia, diga-se, mas vai existir crescimento. Pelo menos é isso que a consultora IDC prevê quando antecipa uns orgulhosos 0,9% de subida no volume de negócios gerados pelo sector – a Europa anda nos 1,9% e o mundo nos 3,5%.

O que justifica esta subida? Provavelmente, o investimento das empresas portuguesas em tecnologias como a Cloud e a renovação de parques informáticos que já não têm a capacidade de responder às exigências das organizações. Mas há mais. Vivemos momentos de grande convulsão nas infraestruturas empresariais. E curiosamente, são os funcionários que estão a trazer a mudança para dentro da empresa. Algo inédito.

No passado, foram sempre os departamentos de informática a introduzir novas ferramentas de trabalho. Hoje, os funcionários têm expectativas muito elevadas. Querem usar os seus dispositivos pessoais dentro do ambiente de trabalho. Exigem ter o email no telefone e no tablet e trabalhar diretamente nesses dispositivos. Esta alteração de paradigma (a que o mercado chama BYOD – Bring your own device) obriga as empresas a investir em nova tecnologia e a reforçar a segurança.

Em nove anos, tempo que dista este ranking do outro publicado pela “Exame”, desapareceram daquela listagem 63 das 200 empresas que eram referidas. Uma demonstração clara da volatilidade de um mercado que continua a ser dos mais exigentes. Um mercado onde a capacidade de inovar, de chegar primeiro, ainda é condição obrigatória ao sucesso. Das 200 listadas, quantas estarão no ranking do próximo ano?