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Nossa Senhora do Rosário: o hábito de ser primeiro

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Rui Duarte Silva

Alunos do Colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto, alcançaram as médias mais altas na 1ª fase dos exames do secundário. Nos últimos seis anos, é a quarta vez que acontece. Mas na cidade e à volta há outros privados em destaque

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Se fosse um concurso, o ranking das escolas estaria condenado por falta de suspense. Os anos letivos passam e no fim ganha quase sempre o Colégio Nossa Senhora do Rosário, no Porto. Nos últimos seis anos por quatro vezes conseguiu que os seus alunos tivessem as médias nos exames do secundário mais altas do país, de acordo com os critérios do ranking do Expresso.

O mais seleto colégio da cidade é frequentado por 1560 alunos cujos pais não lamentam os 500 euros de mensalidade, crentes de que o selo da congregação Sagrado Coração de Maria será meio caminho andado para os filhos singrarem na vida.

Na Avenida da Boavista, a direção do colégio fundado 1872 orgulha-se de oferecer um projeto educativo que não se esgota na sala de aula. “Esta é uma escola de elite, centrada no desenvolvimento integral do aluno, mas também inclusiva. Trabalha-se para as notas, sem descurar os talentos de cada um, ao mesmo tempo que se investe na ética e causas sociais”, afirma a Irmã Teresa Nogueira, feliz com os 15 valores de média final do secundário.

Além de outros projetos de intervenção na cidade, professores e estudantes mais velhos dão explicações semanais a crianças e adolescentes do Bairro de Ramalde, no âmbito do programa socio-educativo 'Espaço Raiz'. Diariamente, uma de sete equipas de pais e estudantes do 12º ano distribui roupa e comida aos sem-abrigo da cidade, integrada na parceria 'Amigos de Rua', que reúne algumas empresas e instituições portuenses.

Professores com mais de 10 anos de casa e espírito de missão, compromisso de pais e estudantes com o currículo básico e suplementar - que passa por disciplinas obrigatórias como o Seminário de Desenvolvimento Humano -, espaço de debate político, de direitos humanos ou sustentabilidade ecológica são outras razões que, na opinião da diretora, explicam o sucesso.

"Mais do que o domínio de conteúdos, a nossa grande preocupação é que as nossas crianças e jovens aprendam a gerir o seu tempo e tenham sede de conhecimentos além do académico", acrescenta Teresa Nogueira.

Num colégio com crónicas listas de espera, os critérios de admissão priorizam, por esta ordem, o ingresso de irmãos, filhos de colaboradores e de ex-alunos. Quem entra a meio não é sujeito a provas, embora pais e candidatos não escapem ao crivo de entrevistas. A maioria chega ao colégio aos três anos e despede-se para ir para a faculdade, alguns depois de um verão de voluntariado.

“Em 2015, fui com eles para Timor”, conta a religiosa, garantindo que o ranking das escolas tem sido um grande estímulo para a comunidade educativa do Rosário, mas não uma obsessão. "Se assim fosse, não teríamos 60 alunos com necessidades educativas especiais em todos os anos."

Luso-Francês de volta ao top 3

José Teixeira não se mostra surpreendido com o regresso ao pódio do Colégio Luso-Francês do Porto. O diretor de um dos estabelecimentos de ensino com maiores pergaminhos, de inspiração católica e pertencente à congregação dos Franciscanos Missionários de Nossa Senhora, afirma que a surpresa foi a queda nos dos últimos anos, habituado que estava aos primeiros lugares.

Apesar de garantir que no Luso-Francês não se vive a "febre dos rankings", José Teixeira diz que desde 2014 há uma nova direção pedagógica, ditada para contrariar "um certo atavismo e rotinas prejudiciais". Situado na proximidade do campus universitário da Universidade do Porto, boa parte da comunidade educativa (1230 alunos) é composta por filhos de professores, que com "a ajuda dos avós" conseguiram manter os filhos no particular em tempos de cortes salariais.

"Fizemos alguns ajustamentos nas propinas, que oscilam entre os 270 e os 400 euros, mas não sentimos a fuga de alunos durante estes anos de crise", diz o líder do Luso-Francês, colégio que mantém listas de espera em todos os ciclos de escolaridade. No 1º ano do ensino básico existem três turmas, mas podiam este ano letivo ter aberto cinco e mais uma no 5º ano.

Os critérios de entrada "são a ordem de inscrição" consoante o número de vagas, sendo dada primazia a irmãos e filhos de funcionários. Na maioria dos casos, as crianças entram para o pré-escolar e frequentam o colégio até ao 12º ano. E 80% acabam por entrar nas faculdades da suas preferências.

Para os alunos em dificuldades, existe reforço letivo. Nas instalações do estabelecimento, com piscina indoor, são ainda facultadas atividades extracurriculares, como natação, artes marciais, piano ou ballet clássico. A provar o sucesso educativo dos alunos estão os prémios conquistados a Ciência e Física em várias olímpiadas mundiais nos últimos três anos.

Testes à entrada

No 8º lugar está o Colégio Casa Mãe, em Paredes. O diretor, Tiago Coelho, atribui a solidez do desempenho educativo do colégio à longevidade na casa de professores e alunos, a maioria dos quais cruza as portas da instituição ainda ao colo e só sai para entrar na universidade.

Os que chegam de fora para frequentar o 5º ano do ensino básico e demais ciclos são sujeitos a prova de diagnóstico a português, matemática e inglês, mas o diretor do Colégio Casa Mãe garante que os resultados não são sinónimo de chumbo de ingresso na instituição.

"O que se pretende é saber o patamar de conhecimento para adequar a componente letiva, ou seja, se precisam de treinos mais intensivo em aulas de compensação", refere Tiago Coelho. Ao todo são 480 os alunos inscritos em 2015, a lotação quase máxima do colégio. A maior procura acontece no início do 2º ciclo e a partir do 10º ano, oscilando as mensalidades entre os 295 e os 400 euros (mais 110 euros com alimentação). Além da oferta básica, a turma dos cinco anos tem xadrez, inglês, música e clube de artes uma vez por semana, a que se soma no currículo oficial filosofia, inglês e cidadania.

No ciclo seguinte, a oferta incluiu ainda francês e alemão até ao 9º ano. Situado numa quinta pedagógica, a 25 quilómetros do Porto, as aulas de ciência são o mais possível 'mãos na terra', seguindo o lema aprender fazendo. "E bem. O prémio é serem eles a escolher a faculdade e não o contrário", garantem os professores.