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As escolhas dos leitores do Expresso: Costa, acordo à esquerda e refugiados (a dobrar)

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À semelhança do sucedido no ano passado, o Expresso desafiou os seus leitores a votarem as figuras e acontecimentos, nacionais e internacionais, de 2015. A votação fechou e é tempo de balanço. No fim do ano publicaremos um trabalho multimédia alargado com esta votação e com as escolhas da redação do Expresso. Até lá, veja as figuras e os acontecimentos eleitos pelos leitores

FIGURA NACIONAL: ANTÓNIO COSTA

Rui Duarte Silva

De vencedor a vencido e de vencido a vencedor. Eis a improvável história de António Costa. Chegou à liderança do PS em novembro de 2014 com promessas de maioria absoluta que rapidamente se esvaneceram. A detenção de José Sócrates, a acumulação das funções de secretário geral do PS com a presidência da Câmara de Lisboa (e os muitos problemas que ainda teve de enfrentar na Praça do Município), o silêncio a que votou o partido até conseguir apresentar o programa eleitoral (e as críticas que ouviu por isso) e, por fim, uma desastrada campanha eleitoral conduziram a um desfecho inimaginável em setembro de 2014 (quando vencera as primárias, contra António José Seguro, por uns expressivos 68% dos votos): a derrota do PS nas legislativas de 4 de outubro. Foi o melhor que lhe podia ter acontecido. Costa não demorou a perceber que, somados, os votos de PS, BE e PCP davam maioria absoluta e empenhou-se em conseguir, com a inesperada cooperação dos partidos à esquerda do PS (que haviam tomado a iniciativa do diálogo), uma aliança que até aqui ninguém julgara possível. A derrota transformou-se em vitória. E a oposição passou a Governo. Não é para todos.  

OS TRÊS MAIS VOTADOS: ANTÓNIO COSTA (38,07%), CATARINA MARTINS (20,32%), O EMPREENDEDOR PORTUGUÊS (11,77%)

ACONTECIMENTO NACIONAL: ACORDO DA ESQUERDA

Os anticorpos gerados em Portugal durante o PREC (Período Revolucionário em Curso, entre 11 de março e 25 de novembro de 1975), que impediram sempre qualquer tipo de aliança ou entendimento entre socialistas e comunistas (e outras forças de esquerda), foram vencidos quatro décadas depois. Pela primeira vez, um Governo do PS é viabilizado por partidos que sempre estiveram na oposição, a qualquer Executivo, em Portugal: Bloco de Esquerda, PCP e Verdes. A velha ordem do arco da governação, dos tempos exclusivos de uma alternância dentro do Bloco Central (com o apoio pontual do CDS), chegou ao fim. António Costa, Catarina Martins e Jerónimo de Sousa são os rostos que protagonizam o começo de uma nova era. Começou de forma envergonhada (com a rábula da assinaturas das posições conjuntas), com uma consistência qb para derrotar a direita e dar posse ao Governo, mas que será testada em provas muito mais duras.    

OS TRÊS MAIS VOTADOS: ACORDO DA ESQUERDA (72,91%), QUEDA DO GOVERNO PSD/CDS (11,95%), ELEIÇÕES LEGISLATIVAS (5,42%)

FIGURA INTERNACIONAL: O REFUGIADO

PAULO WHITAKER / Reuters

No final deste ano quase um milhão de refugiados terá chegado à Europa, fugindo de países devastados por guerras civis como a Síria, o Iraque ou o Afeganistão. É a maior vaga de refugiados desde a II Guerra Mundial. Tragédias desta dimensão são muitas vezes tratadas como meras estatísticas. Mas podem ganhar uma dimensão humana que emocione o mundo e obrigue instituições e governos a mudar de discurso ou de política. Foi o caso da imagem de Aylan Curdi, um menino curdo de três anos que morreu afogado e deu à costa numa praia da Turquia. Da indiferença passou-se ao empenhamento e alguns governos disponibilizaram-se a abrir portas e a conceder direito de asilo, com a Alemanha, em primeira linha. Outros estados da UE levantaram muros, ou anunciaram querer fazê-lo, com vista a travar o fluxo migratório, sendo o caso mais gritante o da Hungria, sem esquecer a Áustria ou a Macedónia. Não é possível garantir com absoluta certeza que no meio dos refugiados não se possam tentar infiltrar terroristas mas não será esta a sua principal rota de penetração em solo europeu. O que a crise dos refugiados fez foi confrontar a Europa com o que tem de melhor e de pior dentro de si. Os valores nucleares europeus – liberdade de circulação, tolerância, solidariedade, direito de asilo – estão postos à prova de uma forma dramática. Tal como as opções tomadas no passado em matéria de opções ocidentais relativamente às intervenções militares em países como o Afeganistão, o Iraque ou a Síria.

OS TRÊS MAIS VOTADOS: O REFUGIADO (35,39%), ALEXIS TSIPRAS (19,89%), O TERRORISTA SEM ROSTO - E NO MEIO DE NÓS (15,13%)

ACONTECIMENTO INTERNACIONAL: CRISE DOS REFUGIADOS NA EUROPA

Spencer Platt/ Getty Images

A Europa viveu este ano a pior vaga de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial. A chegada em massa de milhões de pessoas coloca questões complexas e fraturantes que têm dividido o Velho Continente e põem em causa a "responsabilidade solidária" da Europa. Como garantir a segurança dos europeus sem fechar fronteiras e sem abolir Schengen, é o desafio que os 28 Estados-membros terão de enfrentar. Entretanto, alguns governos disponibilizaram-se a abrir as portas dos seus países e a conceder direito de asilo - como a Alemanha - enquanto outros levantaram muros, ou anunciaram que vão fazê-lo, com vista a travar o fluxo migratório - casos da Hungria e Áustria. Depois de muitos avanços e recuos, os ministros do Interior da União Europeia aprovaram finalmente, em setembro passado, o sistema de quotas para o acolhimento de refugiados. Os que se recusarem podem ver suprimidas as ajudas financeiras europeias.    

OS TRÊS MAIS VOTADOS: CRISE DOS REFUGIADOS NA EUROPA (47,63%), ATENTADOS DE PARIS (15,69%), GUERRA AOS ESTADO ISLÂMICO (11,76%)

Para ver todos os acontecimentos e todas as personalidades a votação, clique AQUI. No fim do ano, o Expresso vai publicar um trabalho multimédia alargado com as escolhas dos leitores e da redação