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Rapaz de 16 anos detido por pornografia de menores

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Estudante foi detido em Lisboa por seduzir e chantagear raparigas menores no Facebook. Polícia Judiciária ainda está a apurar o número de vítimas

Um rapaz de 16 anos foi detido em Lisboa “fortemente indiciado” pela prática de crimes de pornografia de menores. Segundo a Polícia Judiciária, o estudante, integrado, com família, morador na capital, usava o Facebook para atrair raparigas menores, ganhar-lhes a confiança e, por fim, chantageá-las: ou lhe mandavam fotografias íntimas ou ele revelava as conversas pessoais que tinham mantido com ele aos colegas de escola e amigos das vítimas.

Os muitos ficheiros de imagem existentes no computador e no telemóvel, apreendidos durante a busca domiciliária realizada pela PJ, indiciam que terão sido várias as raparigas atraídas pelo perfil falso que o jovem criou. Enquanto a análise pericial decorre, não se avançam números de vítimas. Por enquanto há apenas uma identificada: uma menina de 12 anos, de Aveiro, com quem começou a conversar no chat do Facebook em Dezembro de 2014 e que o denunciou quando começou a chantagem.

É com base no seu testemunho que o Departamento de Investigação Criminal de Aveiro conseguiu traçar o alegado “modus operandi” do jovem: pedia amizade com uma identidade falsa, alimentava longas conversas com trocas de mensagens até as convencer a contarem-lhes pormenores íntimos e privados da sua vida. Eram essas informações que depois ameaçava divulgar entre os amigos, na Internet: em troca do silêncio exigia fotografias das vítimas nuas.

O suspeito foi libertado com termo de identidade e residência. A investigação está agora a apurar, com base na data das fotografias e de outra informação existente no computador e no telemóvel, que idade tinha o estudante à data dos delitos. Se tinha menos de 16 anos, será julgado pela lei tutelar de menores, cuja medida mais gravosa é o internamento em centro educativo; se já tinha 16, pode ser julgado como adulto e acusado do crime de pornografia de menores agravado.

“O suspeito ainda nem foi interrogado, porque ainda só foi apurada parte dos factos. Falta saber o número e a identidade de mais vítimas, se as fotografias ficavam só na sua posse ou se eram partilhadas, se todas as fotografias foram resultado de uma chantagem… Certo é que nunca aqui houve um caso destes com um suspeito tão jovem”, explica Rui Nunes, coordenador da Polícia Judiciária de Aveiro.

No comunicado divulgado esta quinta-feira sobre a detenção, o último parágrafo é de alerta. “A Polícia Judiciária adverte para os riscos inerentes ao uso das redes sociais para manter contactos com pessoas desconhecidas, sobretudo se esses contactos envolverem a partilha de imagens e de informações pessoais.” Porque este não é caso único: só este ano, a PJ já investigou casos relacionados com menores e a rede social Facebook na Guarda, Lisboa, Porto, Valongo, Aveiro, Ponta Delgada...