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Morreu João Braga Gonçalves

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Instalações da Universidade Moderna

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O caso Moderna, o primeiro escândalo que envolveu uma universidade privada, fez correr muita tinta: houve disputas entre lojas maçónicas, contas difíceis de explicar e muitos alunos que temeram pelo valor dos diplomas. João Braga Gonçalves foi diretor de marketing e era filho do reitor. Faleceu vítima de cancro

Manuel de Almeida / LUSA

De horizontes virados ao Tejo, a Universidade Moderna vendeu-se a si própria como uma promessa de futuro na década de 1990. Tudo parecia correr bem até fevereiro de 1995, data que marca o início daquele que haveria de ser conhecido como ‘caso Moderna’. A história começa quando Jorge Sampaio, ainda presidente da Câmara de Lisboa, mandou proceder à abertura de um inquérito às obras realizadas pela universidade; rapidamente começam a surgir acusações de má gestão na Dinensino, a cooperativa responsável pela gestão da Moderna, que envolvem o reitor José Júlio Gonçalves.

Em abril de 2000, José Júlio Gonçalves [que já tinha sido afastado do cargo de reitor] foi detido. Junto com ele foram também detidos dois dos seus filhos: João Braga Gonçalves, que tinha sido diretor de marketing da Moderna, e José Braga Gonçalves, que tinha sido secretário da direção da Dinensino.

O julgamento começou dois anos depois, em abril de 2002; em novembro de 2003, José Braga Gonçalves foi condenado a 12 anos de prisão, e José Júlio Gonçalves a três. João Braga Gonçalves também foi condenado a dois anos e três meses de prisão - viria posteriormente a ser absolvido pelo Tribunal da Relação, posteriormente, depois de ter estado detido preventivamente.

Em abril de 2008, a Dinensino devia seis milhões de euros ao Estado. Três meses depois, o ex-ministro do Ensino Superior, Mariano Gago, ordenou o encerramento da Moderna.

João Braga Gonçalves faleceu na madrugada desta quarta-feira, vítima de cancro. O velório é na Igreja de São Francisco Xavier, em Lisboa.