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Sobrinho Simões é o campeão dos patologistas

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Sobrinho Simões foi Prémio Pessoa 2002 e agraciado com a Grã Cruz da Ordem do Infante D. Henrique em 2009

Rui Duarte Silva

Presidente do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto foi eleito pelos seus pares como o mais influente do mundo. A portuguesa Fátima Carneiro também integra o top 100

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Durante dois meses, patologistas de todos os continentes responderam à pergunta lançada pela revista britânica “Quem são os patologistas mais influentes do mundo?”. Os resultados da votação foram agora tornados públicos e o vencedor a nível mundial é Manuel Sobrinho Simões, professor da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) e investigador com uma carreira de mais de 40 anos dedicada ao ensino e à investigação em patologia.

O presidente e fundador do conceituado Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (Ipatimup), integrado no Instituto de Investigação e Inovação em saúde (i3S), e patologista no Hospital de São João, foi escolhido em 2015, entre outras razões, por ter contribuído “mais do que qualquer outra pessoa para a visibilidade da patologia na Europa”.

Lançada em 2014, a revista “The Pathologist” centra-se na influência na ciência e ensino desta área da saúde, procurando dar voz e espaço a uma profissão tida muitas vezes como invisível. Na eleição do cientista português são ainda citadas as suas contribuições para o diagnóstico clínico de cancro da tiróide, cujas regras “são seguidas nas rotinas diárias de patologistas de hospitais” dos quatro cantos do mundo”.

Um cientista que sabe partilhar

O facto de apoiar e formar novos patologistas a nível internacional é também sublinhado na votação dos colegas de profissão. “Sobrinho Simões é a combinação perfeita entre a nobreza e a inteligência científica, bem como uma pessoa gentil, atenciosa, generosa e carismática”.

Natural do Porto, Manuel Sobrinho Simões licenciou-se em Medicina pela FMUP em 1971, ano em que iniciou o seu percurso como docente de Anatomia Patológica. Oito anos depois, completa o doutoramento em Patologia com uma inovadora dessertação sobre cancro da tiróide, ano em que vai para a Noruega fazer o pós-doutoramento no Norsk HydroZs Institute for Cancer Reserch. Em 1980 regressa à Universidade4 do Porto para assumir o cargo de professor associado e em 1988 o de professor catedrático.

Chefe do serviço no Hospital de São João desde então, criou o Ipatimup em 1989, liderando até hoje um dos mais prestigiados centros de investigação e diagnóstico da Europa na área do cancro, um dos laboratório europeus acreditados pelo Colégio Americano de Patologistas.

Sobrinho Simões é reconhecido pelos seus alunos como um educador por excelência, “sempre disponível para partilhar aquilo que sabe”. Autor e coautor de centenas de artigos científicos, o seu percurso levou-o à liderança das mais importantes organizações internacionais na área da saúde que estuda as origens e os sintomas das doenças, como a Sociedade Europeia de Patologia, a Escola Europeia de Patologia e a Associação Europeia de Prevenção de Cancro.

Em 2002, Sobrinho Simões ganhou o Prémio Pessoa, atribuído pelo Expresso e maior distinção nacional para a personalidade portuguesa cuja obra tenha alcançado destaque particular nos campos das artes, ciência ou cultura. Nesse ano, o júri distinguiu-o pelos seus méritos como investigador na área da oncologia, mas também por ser “o líder de uma equipa de cientistas de excelência”. A sua intervenção cultural no Porto e o seu “exemplar exercício de cidadania” foram outros dos motivos destacados pelo júri.

Com um percurso semelhante ao de Sobrinho Simões, Fátima Carneiro, patologista da FMUP, do Hospital de São João e investigadora no Iatimup, é outro dos nomes que constam da lista os 100 especialistas mais influente. Está referenciada por ser “uma excelente cientista” com provas dadas em descobertas revolucionárias na área do cancro do sistema digestivo.