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#Tecnologia. Viciados na dispersão

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DEPENDÊNCIA. Conseguiria viver sem o seu smartphone?

sam wolfe

Qual foi a última coisa que fez na última noite antes de se deitar? E na noite antes dessa? E em tantas outras noites? Para muitos, a resposta é simples: olharam para o telemóvel. Provavelmente, para mandar uma última mensagem no Whatsapp, para ver a cronologia do Facebook, para passar os olhos pela conta do Instagram antes de os fechar.

E lembra-se qual foi a primeira coisa que fez esta manhã, provavelmente depois de ser acordado pelo despertador do telemóvel? É possível que tenha verificado o email. A seguir, talvez tenha consultado o Facebook, lido um ou dois artigos que lhe captaram a atenção, olhado as últimas no Twitter. E só depois terá ido ao duche.

Agora que o final do dia se aproxima tem ideia quantas vezes olhou hoje para o ecrã do smartphone? 10? 20? 40 vezes? Provavelmente, fá-lo muito do que pensa. A média, segundo um estudo recente, é... 85 vezes. E quantas horas perdeu a consultar o email? Uma hora? Duas? Se a realidade dos Estados Unidos tiver algum paralelo com a nossa, então os números são assustadores: segundo uma sondagem realizada este verão, os trabalhadores "de colarinho branco" perdem cerca de seis horas por dia a consultar o email, de trabalho e pessoal.

E quantas horas por dia terá passado no Facebook, no Twitter, no Instagram e noutras redes sociais? Quantas horas terá perdido a enviar mensagens? Agora pense no tempo que realmente passou a trabalhar: o melhor é não confessar as conclusões ao seu patrão... E pense, sobretudo, em todo o tempo que passou a olhar para um ecrã, do computador, do telemóvel, do tablet, (cada vez menos) da televisão. Difícil calcular? Vá pelo caminho mais fácil: pense no tempo que passou hoje sem olhar para um ecrã. Muito pouco, certo?

Deixemos de lado os efeitos que a tecnologia está a ter na nossa visão e no nosso sono. Foquemo-nos apenas na nossa atenção. Lembra-se da última vez que leu um livro? Quantas vezes ficou a ler o mesmo parágrafo, vezes sem conta, sem conseguir avançar? Quantas vezes não se distraiu da leitura e se perdeu? Não se preocupe, não está sozinho. Viciados nos aparatos tecnológicos e na miríade de interações que nos proporcionam, vimos a nossa capacidade de concentração ruir nos últimos anos, como há muito vem alertando Nicholas Carr, autor do livro "Os Superficiais: O Que a Internet Está a Fazer Aos Nossos Cérebros".

O primeiro passo para a recuperação é a aceitação: viciamo-nos na tecnologia, não há como negá-lo. O desmame é que pode ser mais complicado. Uma amiga tentou desligar-se do Facebook, mas voltou ao fim de dois dias porque descobriu que, sem ele, não podia usar o Tinder, a app que lhe permite conhecer outras pessoas. Se conseguirem combinar um jantar sem olhar para o telemóvel, talvez a coisa tenha futuro.